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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Chocolate pode ser bom para a saúde

Chocolate pode ser bom para a saúde


Estudiosos garantem que compostos antioxidantes contidos na cacau propiciam controle de peso e vários benefícios para o organismo

Novas descobertas aumentam a possibilidade de prevenir o surgimento de problemas como distúrbios cardíacos e, ao mesmo tempo, controlar o peso sem deixar de ingerir determinados alimentos. De acordo com cientistas da National Chung Hsing University, de Taiwan, o chocolate amargo possui importantes propriedades que contribuem para o bom funcionamento cardiovascular, além de outras importantes funcionalidades do organismo.

Segundo o artigo, recém-publicado no Journal of Agriculture and Food Chemistry, o cacau é o grande benfeitor dessa história, por ser rico em ácido fenólico e flavonóides – fitoquímicos que, dentre outras características, possuem as propriedades antioxidante e anti-inflamatória, importantes por combaterem os radicais livres e evitarem o acúmulo de gordura no organismo. Ambos os compostos são encontrados em alguns vegetais, frutas, flores e verduras, além de alimentos processados, como em determinados tipos de chás e no vinho tinto.

Os resultados do novo estudo somam-se a outras pesquisas, cujos dados trazem evidências de que a ingestão regular de alimentos ricos em flavonóides e ácido fenólico exerce influência direta sobre a pressão arterial, aumenta a resistência à insulina e regulariza a função vascular e plaquetária. Nesse contexto, o cacau é considerado um importante agente produtor desses benefícios e de vários mecanismos potenciais que ainda são motivos de estudos mais abrangentes.

Ao contrário do chocolate comum, as versões amargas não possuem leite em sua composição e contêm uma quantidade maior de cacau, o que torna seu consumo mais vantajoso que os demais. O ácido fenólico, por exemplo, atua na produção de leptina, hormônio responsável pela queima de gordura e pela sensação de saciedade, fatores importantes no processo de perda de peso.

Já o fotoquímico flavonóide, denominado epicatecia, além de responsável pelo sabor amargo do chocolate – geralmente retirado pela indústria alimentícia para evitar a rejeição pela maioria da população – desempenha um papel-chave para o bom funcionamento do sistema cardiocirculatório. O composto em questão ajuda a proteger o coração, as veias e as artérias das agressões que organismo sofre diariamente.

Sensação de bem-estar
Além de ressaltar os benefícios cardiovasculares proporcionados pelo chocolate amargo, o Mestre em endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Frederico Marchisotti destaca a capacidade que o alimento tem de despertar emoções positivas. “Devido à liberação de serotonina e endorfina, o chocolate produz sensação de prazer, a exemplo de outros estimulantes, como a cafeína – presente em pequenas quantidades nesse alimento –, e ingredientes semelhantes, como as substâncias que podem ativar receptores canabinoides, que acarretam sensações de sensibilidade e euforia”, acrescenta.

De acordo com estudo, os efeitos fisiológicos produzidos pelos hormônios, em decorrência do consumo do chocolate, são os principais motivos pelos quais muitas mulheres recorrem a esse alimento nos períodos de tensão pré-menstrual (TPM). Isso porque a serotonina e a endorfina liberadas no organismo ajudam a reduzir alguns sintomas comuns desse período, como a depressão. Também é discutida entre pesquisadores de todo o mundo a capacidade que os antioxidantes presentes no cacau têm de suprir eventuais carências de minerais, como magnésio, tanto durante a TPM quanto em momentos de estresse agudo.

Antidepressivo
A capacidade de auxiliar na proteção dos neurônios contra doenças degenerativas como mal de Parkinson e AlzheimerNão não foi confirmada pelo estudo, mas é apontada por centenas de outros estudos como alguns dos benefícios atribuídos ao poder antioxidante do cacau. Essa vertente de cientistas defende o consumo do chocolate amargo devido à poderosa ação anti-inflamatória, anti-hemorrágica, antialérgica e até anticâncer.

A presença desses compostos fenólicos no chocolate amargo também é alvo de estudos, no que diz respeito à contribuição direta na absorção de vitamina C pelo organismo. Esse nutriente é responsável pelo aumento da resistência capilar e pelo fortalecimento do sistema imunológico, ao estimular a produção de linfócitos - glóbulos brancos que atuam contra vírus e bactérias.

Quantidade
Os pesquisadores afirmam que a ingestão diária de cerca de 30 gramas das versões mais amargas do chocolate é suficiente para ajudar a reduzir a pressão arterial e impedir a oxidação do colesterol LDL, amplamente conhecido como colesterol ruim. Orientação relevante, considerando que, devido ao alto teor de gordura contido nesse alimento, seu consumo descontrolado pode piorar a saúde cardiovascular e provocar problemas futuros no organismo como ganho de peso, diarreia, distúrbios intestinais e até desnutrição.

“Vale ressaltar que os chocolates dietéticos não possuem menos calorias. Essa especificação do produto refere-se somente ao fato dele conter menos açúcar e, em determinadas fórmulas, pode disponibilizar ainda mais calorias que a versão comum”, alerta Dr. Marchisotti. Para aqueles consumidores compulsivos é importante a realização periódica de exames, para avaliação da glicose, colesterol e pressão arterial. “Um especialista deve ser procurado para analisar os resultados e conceder um diagnóstico seguro sobre a sua saúde”, conclui o endocrinologista.

Fonte: Revista Medicando - Saúde em Movimento - Por Elizângela Isaque

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