1

1

terça-feira, 19 de setembro de 2017

CAPSULITE ADESIVA – Causas, Sintomas e Tratamento... A capsulite adesiva é uma doença que provoca inflamação, espessamento e rigidez da cápsula articular do ombro.

Capsulite adesiva
A capsulite adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”, é um quadro que se caracteriza por limitação dos movimentos e intensa dor no ombro, que pode durar de vários meses até anos. A capsulite adesiva é provocada por uma inflamação da cápsula que reveste a articulação do ombro.
O ombro congelado é um problema relativamente comum, acometendo cerca de 3 a 5% da população geral. A doença torna-se mais frequente a partir dos 55 anos, sendo rara antes dos 40 anos de idade. As mulheres são mais acometidas que os homens.
Estudos mostram que o ombro do braço não dominante é ligeiramente mais susceptível à capsulite adesiva; portanto, canhotos têm mais risco de lesão no ombro direito e destros têm mais chances de ter capsulite no ombro esquerdo. Independentemente de qual ombro foi acometido primeiro, em cerca de 10% dos pacientes, o ombro contralateral também torna-se doente dentro de um intervalo de 5 anos.
Neste artigo vamos explicar o que é a capsulite adesiva, como ela surge, quais são os seus sintomas e quais são as formas de tratamento atualmente disponíveis.

O que é a capsulite adesiva

O ombro é uma articulação formada por 3 ossos: o úmero (osso do braço), a clavícula e a espátula (também conhecida como omoplata).
Capsulite adesiva
Acompanhe a ilustração acima para entender melhor a anatomia do ombro. A extremidade superior do úmero, chamada de cabeça do úmero, tem a forma de um globo e se encaixa na cavidade glenoide, que é uma fossa em formato esférico na lateral da escápula. O encaixe de um osso com extremidade convexa em uma fossa côncava cria uma articulação que permite ao osso mover-se de forma multiaxial, nos possibilitando uma grande amplitude de movimentos.
A articulação do ombro é envolvida pela cápsula articular do ombro, que é uma membrana que ao mesmo tempo cria estabilidade e permite a livre movimentação da articulação.
A capsulite adesiva é uma doença que provoca inflamação, fibrose, espessamento e rigidez da cápsula articular, levando à dor e à impotência funcional do ombro. A capsula, que normalmente é um tecido elástico, torna-se rígida e bastante dolorosa.
A capsulite adesiva é uma lesão ombro diferente da bursite e da tendinite do ombro. A bursite do ombro é provocada pela inflamação da bursa sinovial, que é uma espécie de almofada localizada no interior da articulação. Já a tendinite do ombro, como o próprio nome diz, é uma inflamação dos tendões do ombro.

Causas da capsulite adesiva

A capsulite adesiva pode estar relacionada a traumas do ombro ou a doenças sistêmicas, que nada têm a ver a articulação do ombro, tais como diabetes, hipotireoidismo ou doenças cardiovasculares. O ombro congelado também pode ser uma doença idiopática, isto é, um problema que surge sem que possamos identificar uma causa clara.
Não sabemos exatamente qual é o mecanismo fisiopatológico que leva à formação da capsulite adesiva, mas alguns fatores de risco já estão bem estabelecidos. São eles:

Sintomas da capsulite adesiva

Os dois principais sintomas do ombro congelado são a dor e a incapacidade funcional, que é a dificuldade de fazer os movimento habituais do ombro.
A capsulite adesiva habitualmente se desenvolve em três fases:
1- Fase dolorosa ou inflamatória → o quadro de capsulite adesiva inicia-se com progressiva dor ao movimento, que torna-se muito intensa e causa também gradual perda da capacidade de mover o ombro. Os sintomas agravam-se ao longo de semanas e costumam ser piores à noite. Ao contrario da bursite e da tendinite, cuja dor estão associadas a determinados movimentos do ombro, a dor da capsulite surge com qualquer tipo de movimento. Essa fase dura de 2 a 9 meses.
2- Fase de congelamento ou rigidez → Após meses de agonia, a dor começa a reduzir. Por outro lado, a rigidez do ombro torna-se mais intensa, impedindo a sua mobilidade. Nesta fase, que dura de 4 a 12 meses, a incapacidade funcional não está diretamente ligada à dor, o paciente simplesmente não consegue mover o ombro como antigamente porque ele encontra-se rígido ou “congelado”. Levantar o braço, coçar as costas, vestir um casaco ou fechar o sutiã podem se tornar tarefas impossíveis. Nesta fase, a dor só costuma surgir quando o paciente tenta mover o ombro para além do possível.
3- Fase de recuperação ou descongelamento → após mais de 1 ano de dor e incapacidade funcional, o ombro começa a “descongelar”. O paciente vai, aos poucos, retomando a capacidade de mover os ombros de forma ampla e a dor desaparece completamente. Essa fase pode demorar de 5 a 24 meses para ficar completa.
O tempo de evolução da doença varia de caso a caso, mas é muito comum que o ombro congelado atrapalhe as atividades normais da vida do paciente por pelo menos 2 anos. Alguns pacientes podem ficar com sequelas, perdendo de forma definitiva cerca de 15% da mobilidade do ombro.

Diagnóstico da capsulite adesiva

O diagnóstico do ombro congelado é feito habitualmente pelo médico ortopedista, através do exame físico e de exames complementares.
Um teste que pode ser utilizado para distinguir a capsulite adesiva de outras patologias dolorosas do ombro é o teste da injeção. O médico injeta uma quantidade de anestésico na articulação e nota se o paciente consegue voltar a mover o ombro de forma normal. Nos pacientes com ombro congelado, a anestesia alivia a dor, mas não melhora a mobilidade.
A radiografia e a ultrassonografia não são bons exames para o diagnóstico da capsulite adesiva, mas eles ajudam no diagnóstico diferencial, pois podem identificar outras causas de dor no ombro, como bursite e tendinites.
Se após o exame físico, teste da injeção e exames de imagem, o médico ainda estiver na dúvida do diagnóstico, a ressonância magnética é o exame mais adequado para avaliar a saúde da cápsula articular. Nas fases inciais da doença, porém, a ressonância pode não conseguir identificar a capsulite.

Tratamento da capsulite adesiva

Como a capsulite adesiva é uma doença autolimitada, que resolve-se sozinha após vários meses, o tratamento inicialmente visa o controle da dor e o restabelecimento de parte dos movimentos do ombro.
1 – Tratamento da fase dolorosa da capsulite adesiva
A dor pode ser inicialmente tratada com analgésicos comuns, tais como paracetamol ou dipirona (metamizol) (leia: Dipirona | Metamizol → Indicações, Efeitos Colaterais e Perigos). Anti-inflamatórios são medicamentos com boa eficácia, mas o seu uso diário por vários meses seguidos deve ser desencorajado devido aos efeitos colaterais gástricos, renais e cardiovasculares (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS – Ação e Efeitos Colaterais). Em casos de dor de difícil controle, o médico pode prescrever analgésicos mais fortes, à base de derivados da morfina.
A injeção intra-articular de corticoides (infiltração) é uma boa opção para o controle da dor nos primeiros meses, principalmente para aqueles pacientes que não melhoram com o uso de analgésicos ou anti-inflamatórios diariamente. Corticoides por via oral não são indicados pelo elevado risco de efeitos colaterais (leia: PREDNISONA E GLICOCORTICOIDES – Efeitos Colaterais e Indicações).
2 – Tratamento da fase de rigidez da capsulite adesiva
Após o alívio da dor, o médico pode indicar exercícios e fisioterapia para melhorar a mobilidade do ombro afetado. Os exercícios devem ser começados de forma leve, sempre utilizando a dor como parâmetro.
3 – Tratamento cirúrgico da capsulite adesiva
O tratamento cirúrgico, habitualmente feito por artroscopia, costuma ficar restrito apenas aos casos mais graves e que não obtêm resposta satisfatórias com outros tipos de tratamento. O objetivo da cirurgia é “libertar” a cápsula, permitindo que a articulação possa voltar a se mover livremente. Em geral, a cirurgia é feita apenas após 1 ano de doença, numa fase em que há menos inflamação e mais fibrose da cápsula.
https://www.mdsaude.com/2016/04/capsulite-adesiva-ombro-congelado.html

MALEATO DE ENALAPRIL – Para Que Serve e Posologia. Este artigo é uma bula simplificada do maleato de enalapril, um dos medicamentos anti-hipertensivos mais prescritos em todo o mundo.

Maleato de Enalapril
O maleato de enalapril é um fármaco utilizado no tratamento da hipertensão arterial, que pertence à classe dos inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), sendo estruturalmente semelhante aos outros medicamentos desta classe, tais como o captopril, ramipril, lisinopril e perindopril.
Além de anti-hipertensivo, o enalapril também pode ser usado como parte do tratamento da insuficiência cardíaca, da nefropatia diabética e da insuficiência renal crônica.
Neste artigo, vamos abordar os seguintes pontos sobre o maleato de enalapril:
– Mecanismo de ação.
– Indicações.
– Nomes comerciais mais famosos.
– Como tomar.
– Efeitos colaterais.
– Contraindicações.
– Interações medicamentosas.
Atenção: este texto não pretende ser uma bula completa do enalapril. Nosso objetivo é ser menos técnico que uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações objetivas e em linguagem acessível ao público leigo.

Mecanismo de ação

O enalapril, assim como qualquer medicamento da classe dos IECA, age impedindo a formação de um hormônio chamado angiotensina II, que é um dos responsáveis pelo controle da pressão arterial. A angiotensina II estimula a contração dos vasos sanguíneos e uma maior absorção de sódio pelos rins. Essas duas ações resultam em elevação da pressão arterial.
A angiotensina II é, portanto, uma substância que impede que tenhamos hipotensão. O problema é que em algumas pessoas, o funcionamento deste hormônio não está devidamente “calibrado”. Cerca de 3/4 dos pacientes que são hipertensos apresentam níveis de angiotensina II acima dos valores que seriam necessários para manter uma pressão arterial normal. Desta forma, a inibição da sua produção com o enalapril acaba sendo uma efetiva forma de baixar a pressão arterial neste grupo.
Mas nem todos os indivíduos hipertensos apresentam problemas com a angiotensina II. Na verdade, pelo menos 25% dos hipertensos apresentam níveis baixos de angiotensina II. Nestes casos, o enalapril acaba sendo um fármaco anti-hipertensivo pouco eficaz, principalmente se for utilizado como monoterapia, ou seja, sem outro anti-hipertensivo associado.
Esta informação é importante porque sabemos que os afrodescendentes e os pacientes idosos costumam ter uma hipertensão com níveis baixos de angiotensina II. Portanto, o enalapril não deve ser a primeira opção de tratamento para hipertensão arterial nesses pacientes. Neste grupo, o enalapril costuma ser indicado apenas em conjunto com algum diurético, como a clortalidona ou a hidroclorotiazida.
Por outro lado, hipertensos jovens e de etnia branca são aqueles que habitualmente apresentam angiotensina II elevada ou normal*, sendo o enalapril uma opção bastante eficaz para controlar a pressão arterial.
* Um valor normal também não é adequado nestes casos, pois se o paciente está hipertenso, o esperado era que a produção de angiotensina II fosse naturalmente inibida e os valores no sangue mantivessem-se baixos.

Quem deve usar o enalapril

A inibição da angiotensina II tem diversos efeitos benéficos para o nosso organismo. Os principais são:
– Redução da pressão arterial.
– Tratamento da insuficiência cardíaca – leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – Causas, Sintomas e Tratamento.
– Redução da proteinúria (perda de proteínas na urina) – leia: URINA ESPUMOSA E PROTEINÚRIA.
– Redução da progressão da insuficiência renal crônica – leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA – Sintomas, Causas e Tratamento.
O enalapril é indicado como tratamento de primeira linha para hipertensão arterial, devendo ser a primeira escolha caso o paciente apresente também qualquer uma das doenças listadas acima.

Nomes comerciais do enalapril

O maleato de enalapril já existe no mercado há muitos anos e pode ser facilmente encontrado sob a forma de medicação genérica.
Entre os nomes comerciais, o mais famoso é o Renitec, do laboratório Merck Sharp & Dohme, que é considerado o medicamento de referência para a substância enalapril.
Além do Renitec, outros nomes comerciais facilmente encontrados nas farmácias são:
– Angiopril.
– Atens.
– Enalabal.
– Enalamed.
– Enaplex.
– Enaprotec.
– Eupressin.
– Glioten.
– Pressel.
– pressocord.
– Pressomede.
– Pressotec.
– Prilan (Portugal).
– Pryltec.
– Renalapril.
– Tensazol (Portugal).
– Vasopril.

Como tomar o enalapril

O maleato de enalapril é comercializado em comprimidos de 5 mg, 10 mg e 20 mg no Brasil e em comprimidos de 5 mg e 20 mg em Portugal.
A dose inicial deve ser de 5 mg a 10 mg, 1 vez ao dia, com ajustes a cada 1 ou 2 semanas até se obter o controle da pressão arterial.
A dose diária máxima recomendada é de 40 mg por dia, que pode ser administrada 1 ou 2 vezes por dia. Alimentos não interferem na absorção do comprimido.
Nos pacientes com insuficiência cardíaca ou proteinúria, a dose indicada é a mais alta que o paciente tolerar, respeitando o limite de 40 mg/dia.

Efeitos colaterais

Apesar de ser uma droga segura, alguns efeitos colaterais do enalapril são relativamente frequentes. Vamos falar apenas dos mais comuns e dos mais graves.
– Hipotensão: assim como ocorre com qualquer anti-hipertensivo, a hipotensão arterial é um dos efeitos colaterais possíveis do enalapril. Esse efeito ocorre em cerca de 2% dos pacientes.
Os sintomas da hipotensão costumam se manifestar como tonturas, fraqueza e súbito escurecimento da visão, que surgem, habitualmente, quando o paciente levanta-se de forma rápida.
A hipotensão é mais comum quando a dose inicial é muito elevada ou quando os pacientes apresentam uma ou mais das seguintes condições: idade acima de 60 anos, desidratação, uso concomitante de diuréticos ou insuficiência cardíaca. Neste grupo de pacientes, a dose inicial do enalapril deve ser de 2,5 mg a 5 mg.
– Hipercalemia (elevação do potássio sanguíneo): a elevação do potássio sanguíneo é um efeito adverso perigoso, pois pode provocar arritmias cardíacas graves.
A hipercalemia ocorre em cerca de 3 a 4% dos pacientes e é um dos principais motivos para suspensão do enalapril. O risco de hipercalemia é maior em pacientes diabéticos, portadores de insuficiência renal crônica, idosos ou que façam uso de medicamentos que também podem elevar o potássio, como anti-inflamatórios, anti-hipertensivos da classe dos ARA2 ou o diurético espironolactona.
Em muitos pacientes, a redução da dose e uma educação alimentar de forma a evitar alimentos ricos em potássio são suficientes. Em outros, porém, o enalapril precisa ser suspenso, pois os níveis de potássio sanguíneo permanecessem em faixas perigosas mesmo com doses baixas do medicamento.
– Tosse: 5 a 10% dos pacientes que usam enalapril podem desenvolver um quadro de tosse seca e persistente. A tosse costuma surgir cerca de 1 a 2 semanas após o início do tratamento, mas pode demorar até 6 meses para aparecer.
Todos os medicamentos da classe do IECA provocam tosse, motivo pelo qual a troca do enalapril por qualquer um deles não costuma ter sucesso. Quando a troca é necessária, sugerimos que ela seja feita com medicamento da classe dos ARA2.
– Agravamento da função renal: apesar do enalapril ser um medicamento indicado para proteção dos rins, em circunstâncias específicas, ele pode ser prejudicial à função renal. Pacientes desidratados, hipotensos, que fazem uso de anti-inflamatórios ou que apresentam insuficiência cardíaca descompensada são aqueles com maior risco de terem alterações da função renal potencializadas pelo enalapril.
– Angioedema e reação anafiláticas: a anafilaxia é um efeito adverso grave, mas felizmente raro, do enalapril. Angioedema ocorre em cerca de 0,3% dos pacientes (leia: ANAFILAXIA – Causas, Sintomas e Tratamento). Já a urticária é um pouco mais comum, ainda assim, acomete apenas 1 a 2% dos pacientes (leia: URTICÁRIA – Sintomas, Causas e Tratamento).

Contraindicações

O enalapril é contraindicado em pacientes com história de reação alérgica a qualquer medicamento da classe dos IECA.
O medicamento não deve ser prescrito em pessoas com estenose bilateral da artéria renal, níveis sanguíneos de potássio no limite superior da normalidade ou durante períodos de descompensação aguda da insuficiência renal.
O enalapril é contraindicado na gravidez e durante o aleitamento materno.

Interações medicamentosas

A administração conjunta do enalapril com os seguintes fármacos deve ser evitada:
– Alisquireno (Rasilez): maior risco de hipercalemia e hipotensão. – Anti-inflamatórios: maior risco de hipercalemia, hipotensão e lesão renal aguda. – Medicamentos da classe dos ARA II: maior risco de hipercalemia e hipotensão. – Alopurinol: maior risco de reações alérgicas. – Lítio: maior risco de toxicidade pelo lítio.
A administração conjunta do enalapril com os seguintes fármacos deve ser feita com cautela e monitorização dos riscos:
– Sulfametoxazol-trimetoprim (Bactrim): maior risco de hipercalemia. – Álcool: maior risco de hipotensão. – Espironolactona: maior risco de hipercalemia. – Aspirina: reduz a eficácia do enalapril. – Insulina: maior risco de hipoglicemia. – Antidiabéticos orais: maior risco de hipoglicemia. – Sirolimo: maior risco de reações alérgicas.
O enalapril não interfere com a eficácia dos anticoncepcionais hormonais.
https://www.mdsaude.com/2017/05/maleato-de-enalapril-bula.html

MELHORES REMÉDIOS PARA DIFERENTES TIPOS DE DOR... Conheça os diferentes tipos de dor e saiba quais são os medicamentos mais indicados para o tratamento de cada uma deles.

A dor é um sintoma tão comum, que é a principal queixa que leva os pacientes a procurar atendimento médico, sendo também uma frequente causa de debilitação ou até mesmo incapacitação, dependendo da sua intensidade e frequência.
Existem dezenas de situações no nosso organismo que podem causar dor, entre elas, podemos citar: lesões traumáticas, inflamações, infecções, distensão de órgãos ocos, lesão de nervos e até mesmo dor de origem psicogênica.
Cada dor tem suas próprias características, o que faz com que o tratamento não seja necessariamente o mesmo para todo o tipo de dor. Uma dor de cabeça não é tratada da mesma forma que uma dor garganta, assim como uma dor por neuropatia diabética tem tratamento distinto ao de uma dor de cólica menstrual.
Neste artigo vamos explicar quais são os diferentes tipos de dor e quais são os medicamentos mais indicados para cada uma delas.

O que é dor

A dor é um sintoma que nos acompanha desde os primeiros momentos da nossa existência. Ela está tão presente nas nossas vidas, que nenhum de nós tem dificuldade de reconhecer o que é uma dor. Porém, se reconhecer uma dor é fácil, reproduzir o seu significado em palavras já não é uma tarefa tão simples.
Uma definição de dor usualmente aceita é a da Associação Internacional para o Estudo da Dor, que diz o seguinte, em uma tradução livre: dor é uma desagradável experiência sensorial e emocional, que é desencadeada por um real ou potencial dano de algum tecido, ou por alguma situação que seja interpretada como dano tecidual.
De forma mais simples, podemos dizer que a dor surge quando há uma lesão de algum tecido (um trauma, por exemplo), quando há algum estímulo que possa vir a causar dano tecidual se não for interrompido (como quando temos dor após ficarmos em uma mesma posição durante muito tempo) ou quando algum estimulo não necessariamente danoso é interpretado como tal (como na enxaqueca, que é uma dor de cabeça que surge sem que haja qualquer lesão na cabeça).

Tipos de dor

Os tipos de dor costumam ser classificadas de acordo com as suas duas principais características: duração e origem.
Classificação de acordo com a duração da dor
A dor pode ser classificada como dor aguda ou dor crônica.
Chamamos de dor aguda aquela dor de curta ou média duração, que persiste enquanto não houver cura da lesão ou enquanto o agente agressor não for eliminado. A dor aguda pode durar de poucas horas até várias semanas.
Alguns exemplos de dor aguda são:
  • Dor do parto.
  • Dor no pós-operatório.
  • Traumas.
  • Dor de garganta provocada por uma infecção.
  • Dor de dente provocada por alguma inflamação.
  • Queimaduras.
Já a dor crônica, também chamada de dor persistente, é aquela que prolonga-se por mais tempo do que o necessário para que uma lesão tecidual se cure. A dor crônica costuma durar semanas, meses ou até anos.
Alguns exemplos de dor crônica são:
Classificação de acordo com a origem da dor
A dor também pode ser classificada de acordo com a sua origem fisiopatológica. Neste caso, ela pode ser dividida de três formas:
1- Dor nociceptiva
Um nociceptor é uma fibra nervosa especializada em sentir estímulos nocivos ou estímulos que podem se tornar nocivos, caso ele se prolongue. A dor nociceptiva é aquela que surge quando há realmente alguma lesão em tecidos ou órgãos.
Os nocireceptores conseguem distiguir três categorias de dano tecidual: térmico (como queimaduras por calor ou frio), mecânico (como impactos, cortes, lacerações ou esmagamento) ou químico (como lesão por substâncias abrasivas ou quando há contato de álcool com pele ferida).
A dor nociceptiva também pode ser dividida em visceral, somática profunda ou somática superficial:
A dor visceral é aquela que ocorre por dano nas estruturas viscerais, ou seja, nos órgãos internos. Situações que habitualmente provocam dor visceral são a distensão ou contração, isquemia (falta de aporte sanguíneo adequado) ou inflamação. A dor visceral costuma ser difusa e mal localizada, motivo pelo qual uma dor no coração pode ser sentida no braço ou uma dor no estômago pode se apresentar como dor em toda a barriga. A dor visceral é frequentemente acompanhada de mal-estar, náuseas e vômitos.
A dor somática profunda é aquela iniciada pela estimulação dos nociceptores presentes em estruturas mais profundas que a pele, como ligamentos, tendões, ossos e músculos. Ela também é uma dor difusa ao redor da região acometida, mas um pouco mais bem localizada que a dor visceral.
Já a dor somática superficial é aquela que surge por ativação de nociceptores na pele. Esse tipo de dor é bem localizada e fácil de ser definida.
2- Dor neuropática
A dor neuropática é uma dor provocada por uma ativação anormal do sistema nervoso central ou periférico. Não há necessariamente uma lesão de um tecido ou órgão, mas sim uma lesão ou disfunção dos nervos responsáveis pela identificação da dor. Esse é o tipo de dor que surge em pacientes com neuropatia diabética, herpes zoster, hérnia de disco ou lesões do nervo trigêmeo.
Apenas como curiosidade, os pacientes amputados podem sentir dor no membro que já não existe mais. O paciente pode não ter uma perna, mas por uma ativação inapropriada de certas fibras nervosas, ele pode sentir dor no pé esquerdo, apesar deste já ter sido amputado há muito tempo. Essa dor é chamada de dor do membro fantasma, que é também um tipo de dor neuropática.
3- Dor psicogênica:
É a dor de origem emocional, que apesar de não ter origem em nenhum dano tecidual ou problema do sistema nervoso, pode ser incapacitante e de difícil tratamento.

Medicamentos mais utilizados para tratar a dor

Existem dezenas de medicamentos diferentes que podem utilizados para tratar quadros de dor aguda ou crônica, que vão desde analgésicos simples e anti-inflamatórios até medicamentos que agem no sistema nervosos central, com antidepressivos ou anticonvulsivantes.
A seguir, vamos mostrar as principais classes farmacológicas que podem ser utilizadas no tratamento dos diferentes tipos de dor.
1- Analgésicos não opioides
Os analgésicos não opioides, também chamados de analgésicos comuns, costumam ser a primeira linha de combate à dor leve a moderada de origem somática. São medicamentos, que se administrados nas doses recomendadas, têm pouquíssimos efeitos colaterais. Por outro lado, são também fármacos com potencial analgésico limitado e não têm ação inflamatória.
Os dois analgésicos não opioides presentes no mercado são o paracetamol e a dipirona (metamizol). Como ambos também têm ação antipirética, eles são muito utilizados nos casos em que o paciente tem dor e febre, como nas gripes e nos resfriados (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO).
Situações nas quais a dipirona e o paracetamol podem ser indicados nos seguintes casos de dor leve a moderada:
  • Dor de dente sem inflamação relevante.
  • Dor muscular.
  • Cólicas menstruais (dipirona funciona melhor que paracetamol neste caso).
  • Dor de cabeça.
  • Dor de garganta sem inflamação relevante.
  • Quadro de dor associado à febre.
Apesar dos analgésicos não opioides serem pouco eficazes contra quadros de dor intensa quando administrados isoladamente, eles podem ser usados como terapia adjuvante, de forma a aumentar a potência analgésica de fármacos mais potentes. Não é incomum encontrarmos remédios que associam a dipirona ou o paracetamol a outros analgésicos mais potentes, como o tramadol, por exemplo.
Os analgésicos comuns também podem ser usados como tratamento adjuvante da dor neuropática. Eles sozinhos, porém, têm pouca eficácia nesse tipo de dor.
Explicamos a dipirona e o paracetamol de forma mais profunda nos seguintes artigos:
2- Anti-inflamatórios não-esteroidais (AINES)
Os anti-inflamatórios também são indicados para as dores somáticas de leve a moderada intensidade. Todavia, essa classe é mais eficaz no tratamento da dor que os analgésicos comuns, principalmente se houver algum processo anti-inflamatório na sua origem. Assim como os analgésicos, os AINES também têm ação antipirética.
Apesar de serem mais fortes que os analgésicos, principalmente nas dores somáticas profundas, os AINES apresentam um perfil de efeitos colaterais pior e uma lista de contra-indicações mais abrangente.
Exemplos de anti-inflamatórios:
– Diclofenaco.
– Ibuprofeno – Leia: INFORMAÇÕES SOBRE IBUPROFENO.
– Naproxeno.
– Nimesulida – Leia: NIMESULIDA | Bula para leigos.
– Indometacina.
– Cetoprofeno.
– Ácido mefenâmico.
– Piroxican.
– Colecoxib.
– AAS (ácido acetilsalicílico) – Leia: INFORMAÇÕES SOBRE O AAS – ASPIRINA.
Entre as situações que o anti-inflamatórios costumam estar indicados podemos citar:
Os anti-inflamatórios de ação tópica, sejam em gel, pomada ou spray, têm ação limitada, mas podem ser uma boa opção nos casos de dor muscular ou articular aguda e de pequena intensidade, pois provocam bem menos efeitos colaterais que os medicamentos por via oral.
Explicamos os anti-inflamatórios de forma mais profunda no seguinte artigo: ANTI-INFLAMATÓRIOS – Ação e Efeitos Colaterais.
3- Antiespasmódicos
Os antiespasmódicos, conforme o próprio nome sugere, são fármacos que agem inibindo o espasmo muscular de alguns órgãos ocos, tais como intestinos, estômago, ureteres, vesícula biliar ou útero. O espasmo, que é uma contração muscular intensa e involuntária, se manifesta habitualmente como um quadro de dor tipo cólica.
Os antiespasmódicos são, portanto, um grupo de medicamentos que podem utilizados para o tratamento da cólica, que é uma forma de dor nociceptiva de origem visceral. Os antiespasmódicos não servem para o tratamento da dor somática ou de qualquer outra dor visceral, que não seja do tipo cólica.
Exemplos de fármacos com ação antiespasmódica:
  • Butilescopolamina (mais conhecido como Buscopan).
  • Papaverina (mais conhecido como Atroveran).
  • Pinavério (mais conhecido como Dicetel).
Entre os quadros de dor que podem ser tratados antiespasmódicos podemos citar:
Explicamos a ação da butilescopolamina (Buscopan) com mais detalhes no seguinte artigo: BUSCOPAN – Indicações, Como tomar e Efeitos Colaterais.
4- Analgésicos opioides
Os opioides, ou opiáceos, são fármacos com potente ação analgésica, que agem em receptores do sistema nervoso central, impedindo que os estímulos dolorosos captados pelos nervos sejam reconhecidos pelo cérebro. Os opioides recebem esse nome por serem derivado do ópio, substância extraída das papoulas (o mesmo que dá origem ao narcótico heroína).
Entre os medicamentos que pertencem à classe dos analgésicos opioides podemos citar:
  • Morfina.
  • Codeína.
  • Meperidina.
  • Fentanil.
  • Oxicodona.
  • Propoxifeno.
  • Hidrocodona.
  • Tramadol.
Os opioides costumam ficar reservados aos quadros de dor intensa, que não respondem a outros medicamentos ou nos pacientes com dor de origem oncológica. Grandes queimados, politraumatizados, crises de dor ciática ou intensa dor no pós-operatório são algumas das indicações para o uso de opiodes.
Entre os efeitos colaterais mais comuns dos opioides estão a sedação, náuseas, vômitos, retenção urinária, constipação intestinal e depressão respiratória.
Apesar de ser uma classe de analgésicos eficaz contra todos os tipos de dor (somática, visceral ou neuropática), o seu uso prolongado deve ser evitado, pois além de causar dependência, o paciente pode desenvolver tolerância, precisando de doses cada vez mais altas com o passar com o tempo. O uso de opioides por mais de 30 dias deve ser evitado, a não ser em situações específicas, como em pacientes com câncer.
Dentre todas as opções de analgésicos opioides, o tramadol é aquele que possui menor risco de dependência e um perfil de efeitos colaterais mais benigno.
5- Anticonvulsivantes
Medicamentos usados no tratamento da epilepsia podem ser usados para tratar dor neuropática, principalmente aquelas provocadas pelas seguintes doenças:
Entre os anticonvulsivantes usados no tratamento da dor neuropática, três se destacam: gabapentina, pregabalina e carbamazepina.
6- Antidepressivos
Os antidepressivos, principalmente aqueles da família dos antidepressivos tricíclicos (imipramina, nortriptilina e amitriptilina) e os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e da noradrenalina (venlafaxina e duloxetina), também podem ser usados no tratamento da dor neuropática, tendo o paciente depressão ou não.
Os antidepressivos são eficazes contra a dor de origem psicogênica.
A duloxetina, especificamente, também parece ser eficaz como tratamento adjuvante da dor lombar crônica e da osteoartrose.
https://www.mdsaude.com/2016/10/remedios-para-dor.html

VITAMINA C – Importância, efeitos e alimentos ricos... A vitamina C não serve pra tratar gripes ou resfriados, mas tem um papel importante na sua saúde.

Vitamina C 
A vitamina C, também conhecida como ácido ascórbico, é uma vitamina necessária para a síntese de colágeno, que é uma estrutura importante na formação de ossos, cartilagem, músculos e vasos sanguíneos. A vitamina C também atua no sistema imunológico e no sistema nervoso central.
A carência de vitamina C provoca uma doença chamada escorbuto, que é comum em pessoas desnutridas ou que apresentam grande restrição no consumo de vegetais. Já o consumo excessivo de vitamina C, geralmente pelo uso exagerado de suplementos vitamínicos, pode ter efeitos tóxicos, causando diarreia, dor abdominal e pedra nos rins.
Neste artigo vamos explicar para que serve a vitamina C, quais são as suas reais ações no nosso organismo, quais são as principais fontes na dieta e quais são os efeitos atribuídos à vitamina C que são apenas crenças populares, sem embasamento científico. Falaremos também sobre o escorbuto, doença provocada pela carência de vitamina C.

O que são as vitaminas

Antes de falarmos especificamente da vitamina C (ácido ascórbico), vale a pena fazermos uma rápida revisão sobre as vitaminas em geral.
Por definição, vitaminas são compostos químicos orgânicos essenciais à vida, que o nosso organismo não consegue sintetizar em quantidades suficientes, sendo necessária a sua obtenção através dos alimentos.
O que é considerado vitamina para algumas espécies, pode não ser para outras. O ácido ascórbico, por exemplo, é produzido pelos rins de répteis e algumas aves, não havendo necessidade de obtenção do mesmo pela dieta. Portanto, para essas espécies, ao contrário dos seres humanos, a vitamina C não é considerada uma vitamina.
Das 13 vitaminas que os seres humanos precisam, apenas 2 são parcialmente produzidas pelo nosso organismo: Vitamina D e Vitamina B7.
As nossas 13 vitaminas são divididas em hidrossolúveis e lipossolúveis.
– As vitaminas lipossolúveis são armazenadas no tecido gorduroso para que o organismo possa usá-las quando necessitar. Praticamente não há perdas destas vitaminas, tudo que é ingerido e não aproveitado no momento, é estocado para períodos de escassez. As vitaminas lipossolúveis são as A, D, E e K.
– As vitaminas hidrossolúveis, como o próprio nome indica, diluem-se na água e são facilmente excretadas na urina. Praticamente não há armazenamento destas no organismo, e tudo o que não é utilizado no momento é eliminado. São vitaminas hidrossolúveis a família da vitamina B e a vitamina C.
Como a vitamina C é hidrossolúvel, o seu risco de toxicidade grave por consumo excessivo é baixo, já que todo o excesso é facilmente excretado na urina. É necessário um consumo diário muito grande, geralmente acima de 2000 mg por dia, para que ela torne-se tóxica.
Falamos mais sobre as vitaminas em geral no artigo: MITOS E VERDADES SOBRE VITAMINAS.

Funções da vitamina C

A vitamina C tem uma gama de funções no organismo, entre as mais importantes estão a formação do colágeno, que é uma substância necessária para ossos, ligamentos, tendões, músculos, pele e vasos sanguíneos. Por esse motivo, níveis adequados de ácido ascórbico são necessários, por exemplo, para cicatrização adequada de feridas.
A vitamina C também é importante nas seguintes funções:
  • Absorção de ferro pelo organismo.
  • Síntese de noradrenalina, que é um neurotransmissor.
  • Síntese de carnitina, substância que auxilia no funcionamento das mitocôndrias.
  • Metabolismo das prostaglandinas, o que lhe confere algum efeito anti-inflamatório.
  • Ação antioxidante.

Mitos sobre a vitamina C

Assim como ocorre em todas as vitaminas, os efeitos benéficos da vitamina C costumam ser superestimados e boa parte do que lhe é atribuído não tem o devido embasamento científico.
Nosso corpo precisa de níveis adequados de vitamina C para funcionar bem. Porém, a partir de uma certa quantidade, todo o excesso é eliminado pelos rins. O corpo não armazena o ácido ascórbico que não precisa.
O nosso organismo precisa de vitamina C para produzir músculos, mas ficar tomando suplementos de vitamina C não lhe fará ficar mais forte. Da mesma forma, o ácido ascórbico é importante na cicatrização, mas se encher de vitamina C não fará uma ferida fechar mais rapidamente do que o habitual. O mesmo raciocínio se aplica para o funcionamento do sistema imunológico: a não ser que você tenha algum grau de deficiência de vitamina C, ficar tomando suplementos não vai ajudar em nada na cura ou prevenção de infecções.
Podemos fazer a seguinte analogia: um carro precisa de gasolina pra funcionar, mas ele não funciona melhor ou pior se o tanque estiver cheio ou pela metade. Precisamos de uma quantidade X de vitamina C para funcionar, mas não há nada que prove que para além desta quantidade existam benefícios.
Estudos científicos não conseguiram provar que haja alguma relação entre o consumo de vitamina C e a prevenção de doenças crônicas. Não há embasamento científico para se afirmar que a vitamina C tenha algum efeito preventivo sobre qualquer tipo de câncer, doenças cardiovasculares, AVC, catarata ou degeneração macular.
Também não há evidências de que a vitamina C também ajude a prevenir o envelhecimento, combata o estresse, melhore a concentração, o humor, dê mais força ou reduza o cansaço do dia a dia.

Vitamina C  contra gripes e resfriados

O uso de vitamina C para combater gripes e resfriados ganhou popularidade na década de 1970, quando o famoso bioquímico Linus Pauling (1901-1994), vencedor do prêmio Nobel de química em 1954, ganhou muito espaço na mídia pregando que altas doses de vitamina C ajudariam a combater e prevenir as infecções respiratórias virais.
As afirmações de Linus Pauling foram baseadas em opiniões pessoais e não eram amparadas por estudos controlados, motivo pelo qual hoje sabemos que ele estava errado na maioria das suas afirmações. Esse episódio serve para ilustrar dois pontos. O primeiro é que até os gênios podem estar equivocados, principalmente quando atuam fora das suas áreas de especialização. O segundo é que sem estudos científicos controlados, nenhuma afirmação pode ser aceita e divulgada como verdade científica, mesmo aquelas feitas por cientistas famosos.
Recentemente, todos os estudos científicos sobre a relação gripe e vitamina C publicados desde 1966 até 2012 foram revisados, e não se conseguiu comprovar que a suplementação de vitamina C seja realmente eficaz na prevenção de gripe na população em geral (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=23440782).
Porém, esses mesmos estudos mostraram que em populações especiais, tais como maratonistas, soldados na região do Ártico, atletas que se exercitam em regiões muito frias e esquiadores profissionais, o uso regular de suplemento de vitamina C parece reduzir em 50% os número de episódios de resfriados. Obviamente, se você não é um atleta submetido a condições extremas, o uso vitamina C não vai lhe ajudar em nada na prevenção de gripes e resfriados. É provável que pessoas submetidas a exercícios em situações extremas precisem de níveis mais altos de vitamina C para manter seu organismo funcionando adequadamente, daí a utilidade contra as infecções.
Os trabalhos científicos também mostram que uma vez resfriado ou gripado, não adianta começar a tomar mais vitamina C que o habitual. Não há evidências de que a vitamina C possa ser usada como remédio para tratar viroses respiratórias. Por outro lado, alguns estudos mostram uma redução modesta (menos de 10%) no número de dias de doença, caso o paciente faça uso regular de vitamina C.
Portanto, resumindo as evidências científicas, se você consome 1 grama de vitamina C todos os dias, você não deixará de ter gripe ou resfriado, mas a duração dessas viroses pode ser reduzida em até 1 dia. Se a sua dieta não é naturalmente rica em vitamina C, depois de ficar gripado ou resfriado, não adianta ficar tomando litros de suco de laranja ou comprando suplementos de vitamina C, pois eles não irão influenciar nem no tempo nem na gravidade da virose.
É importante destacar, porém, que níveis baixos de vitamina C (não tão baixos a ponto de causar escorbuto) são relativamente comuns e podem acometer de 5 a 10% da população. Neste grupo, o aumento do consumo de ácido ascórbico pode realmente melhorar a atuação do sistema imunológico.

Escorbuto – carência de vitamina C

Escorbuto é o nome da doença resultante da carência de vitamina C. Como podemos encontrar vitamina C em uma grande variedade de alimentos, incluindo alguns largamente consumidos, tais como batata, tomate, cebola e alho, o escorbuto é atualmente uma doença pouco comum, sendo encontrado somente em pessoas com importante grau de desnutrição. Alcoólatras e toxicodependentes são o grupo de maior risco nos países desenvolvidos. Nos países pobres, as crianças desnutridas são as mais afetadas.
Os sintomas do escorbuto são dor muscular, dor articular, cansaço, aparecimento de equimoses na pele (manchas roxas) e inchaço e sangramento das gengivas.
O tratamento do escorbuto é com reposição de vitamina C.

Alimentos ricos em vitamina C

O ácido ascórbico pode ser encontrado naturalmente em vários alimentos, em produtos industrializados que adicionam vitamina C ao seu conteúdo, como o caso de alguns cereais ou sucos de fruta, ou através de suplementação com comprimidos.
Sugere-se um consumo diário de cerca de 90 mg de vitamina C para os homens e 75 mg para as mulheres. Como o cigarro diminui os níveis de vitamina C, fumantes podem precisar de até 35 mg extras por dia para compensar essa perda. Gestantes e idosos precisam de cerca de 120 mg por dia.
Entre os alimentos ricos em vitamina C, podemos citar alguns (fonte http://ndb.nal.usda.gov):
FRUTAS:
  • Acerola – 100 gramas possui cerca de 1067 mg.
  • Goiaba – 100 gramas possui cerca de 228 mg.
  • Caju – 100 gramas possui cerca de 219 mg.
  • Kiwi – 100 gramas possui cerca de 93 mg.
  • Morango – 100 gramas possui cerca de 59 mg.
  • Laranja – 100 gramas possui cerca de 53 mg.
  • Limão – 100 gramas possui cerca de 53 mg.
  • Abacaxi – 100 gramas possui cerca de 48 mg.
VEGETAIS
  • Brócolis – 100 gramas possui cerca de 89 mg.
  • Pimentão – 100 gramas possui cerca de 80,4 mg.
  • Couve-flor – 100 gramas possui cerca de 48 mg.
  • Agrião – 100 gramas possui cerca de 43 mg.
  • Alho – 100 gramas possui cerca de 31 mg.
  • Espinafre – 100 gramas possui cerca de 28 mg.
  • Batata – 100 gramas possui cerca de 20 mg.
  • Rúcula – 100 gramas possui cerca de 15 mg.
  • Tomate – 100 gramas possui cerca de 14 mg.
  • Alface – 100 gramas possui cerca de 9 mg.
  • Cebola – 100 gramas possui cerca de 7 mg.
A vitamina C também pode ser encontrada sob a forma de comprimidos, geralmente efervescentes, com dosagens que variam de 500 mg a 2000 mg por comprimido.
Há muitos produtos industrializados que adicionam vitamina C à sua fórmula. Em geral, são sucos e cereais vendidos em supermercados. O problema é que esses produtos costumam ter grandes quantidades de açúcar, e o benefício do consumo da vitamina C acaba sendo ofuscado pelo malefício do consumo excessivo de açúcar.

Intoxicação pela vitamina C

Como a vitamina C é uma vitamina hidrossolúvel, o seu excesso é facilmente eliminado do organismo pelos rins. Pessoas que tomam diariamente comprimidos de vitamina C, eliminam grande parte deste pela urina.
Doses até 1,5 grama por dia não costumam causar efeitos. A partir de 2 gramas por dia, o paciente pode ter cólicas, diarreia e excesso de gases.
Indivíduos com história de cálculo renal devem evitar o consumo exagerado de vitamina C, pois ela aumenta o risco de formação de pedras de oxalato de cálcio.
 
https://www.mdsaude.com/2015/10/vitamina-c.html

Quantos litros de água devemos beber por dia? A famosa regra que diz que devemos beber 2 litros de água por dia é, na verdade, uma orientação empírica, sem grande embasamento em evidências científicas.

Beber água
A água é o principal componente químico do nosso organismo. O ser humano consegue sobreviver muito mais tempo sem consumir alimentos do que sem ingerir água. Precisamos tanto da água, que cerca de 60% do peso do nosso corpo é composto apenas por ela.
A desidratação, que é o nome que damos à redução do volume de água no organismo, pode causar sérios problemas de saúde, inclusive morte, nos casos mais graves. Por outro lado, o consumo excessivo de água também pode ser prejudicial, pois pode levar a um quadro chamado intoxicação por água, que também pode ser fatal em algumas circunstâncias.
Portanto, voltando à pergunta que dá título a este artigo, quantos litros de água devemos beber por dia? A resposta é: depende.
Não existe uma número mágico de litros que seja adequado para toda a população. Diversos fatores podem fazer com que um indivíduo precise de mais ou menos água que outros. A famosa regra que diz que devemos beber 2 litros de água por dia (ou 6 a 8 copos de água) é, na verdade, uma orientação empírica, sem grande embasamento em evidências científicas.
Neste artigo vamos explicar quais são os fatores que uma pessoa deve levar em conta na hora de decidir a quantidade de água que ela deve ingerir ao longo do dia. Vamos explicar também o que é a intoxicação por água e como ela surge.

A água no nosso organismo

Conforme dissemos na introdução, a quantidade de água diária que cada pessoa precisa ingerir é muito individual. Alguns indivíduos precisam de muita, outros precisam de pouca. Para facilitar a compreensão do tema, vamos iniciar o artigo falando, de forma resumida e simples, sobre como o nosso organismo lida com o volume de água corporal.
Distribuição da água no corpo
Se cerca de 60% do nosso peso é composto de água, isso significa que uma pessoa de 70 quilos têm aproximadamente 42 quilos ou 42 litros de água no organismo (1 litro de água pesa 1 quilo). Desses 42 quilos, 2/3 (28 quilos ou 28 litros) estão dentro das células e 1/3 (14 quilos ou 14 litros) encontra-se fora das células. Dos 14 litros de água que encontram-se fora das células, cerca de 10 litros estão distribuídos entre os tecidos e órgãos (espaço que é chamado de interstício) e apenas 4 litros estão efetivamente dentro dos vasos sanguíneos. Portanto, de toda água corporal, apenas cerca de 7% encontra-se dentro do sangue.
A desidratação é, por consequência, um estado que afeta muito mais as células e os tecidos do que propriamente o volume de sangue corrente. Quando um indivíduo perde 3 litros de água corporal, ele perde 2 litros nas células, 800 ml nos tecidos e apenas 200 ml no sangue.
Assim sendo, o paciente começa a sofrer os efeitos da desidratação das células muito antes de apresentar uma queda relevante da pressão arterial, o que só ocorre em casos graves de desidratação.
Da mesma maneira, quando o corpo encontra-se com excesso de água, a distribuição se dá de forma semelhante, sendo o meio intracelular e o interstício os mais acometidos, o que pode provocar edema nas células e nos órgãos, incluindo o cérebro.
Como o organismo controla a quantidade de água no nosso corpo?
O órgão que controla a quantidade de água no organismo é o rim, e ele o faz de forma muito precisa. Pequenas elevações ou reduções da quantidade de água corporal são suficientes para o rins passarem a eliminar mais ou menos água na urina.
Em vista disso, mesmo que consumamos água de forma aquém ou além do necessário, os rins irão agir para manter o volume de água corporal equilibrado, fazendo com que você urine mais ou menos ao longo do dia.
Obviamente, a capacidade de correção dos rins tem um limite. Para eliminar as toxinas e as substâncias filtradas no sangue, o rim precisa eliminar no mínimo uns 400-500 ml de água por dia, caso contrário não conseguiria diluir os compostos químicos. Se o paciente encontra-se muito desidratado, e o rim está tão ávido para reter água no organismo que ele praticamente deixa de urinar, o indivíduo entra em insuficiência renal aguda.
E mesmo quando o paciente para de urinar completamente, se o indivíduo não se hidratar, a escassez de água continuará agravando, pois há perdas de líquidos por outras vias, como suor e fezes, que não podem ser interrompidas nem ajustadas (explico mais à frente).
De forma inversa, em estados de excesso de água corporal, o rim é capaz de aumentar a sua produção de urina em até 500 a 600 ml por hora, o que dá cerca de 12 litros de urina por dia. Se o paciente consome grandes quantidades de água ao longo do dia, para manter estável o volume de água corporal, o rim precisa produzir grandes quantidades de urina, fazendo com que o paciente sinta vontade de ir ao banheiro a toda hora.
Como a vontade de urinar geralmente surge quando o volume de urina na bexiga fica entre 300 e 400 ml, basta o rim produzir 300 ml de urina por hora para que a pessoa precisa ir ao banheiro de hora em hora.
Como os rins só conseguem produzir um máximo de 600 ml de urina por hora, caso o indivíduo por algum motivo resolva consumir 5 litros de água de uma só vez, a quantidade de água excessiva irá se distribuir nas células, provocando inchaço das mesmas em uma quadro potencialmente fatal chamado intoxicação por água.
O rins só irão conseguir controlar o volume de água corporal após algumas horas, o que em alguns casos pode ser tarde demais. Ao final deste artigo iremos explicar esse problema com mais detalhes.

Quais são os fatores que influenciam no volume de água que devemos beber?

A quantidade de água que devemos consumir diariamente deve ser aquela que é necessária para ajudarmos os rins a manter o volume de água corporal estável. Mas por que esse valor pode variar tanto de indivíduo para o outro? Por vários motivos, por exemplo:
a) Quantidade basal de água corporal
Crianças têm proporcionalmente mais água no organismo que adultos, que por sua vez têm mais água que idosos. Homens têm mais água que mulheres. Pessoas obesas, musculosas ou muito altas têm quantidade de água corporal diferentes de pessoal muito magras ou baixinhas. Só por isso, definir um número mágico de consumo de água diário que servisse a toda a população já seria difícil. Mas há outros problemas mais relevantes, conforme veremos a seguir.
b) Perdas de água ao longo do dia
Basicamente, nosso organismo perde água de 4 formas diferentes:
  • Volume de urina – cerca de 1 a 2 litros por dia.
  • Suor e evaporação de água pela pele – cerca de 300-500 ml por dia.
  • Evaporação de água pela respiração – cerca de 200-400 ml por dia
  • Perdas de água nas fezes – cerca de 100 a 200 ml de água por dia.
Isso significa que nosso organismo perde diariamente cerca de 1,5 a 3 litros de água por dia, boa parte dela de forma imperceptível, o que é chamado de perdas insensíveis de água. É por conta desses 1,5 a 3 litros de perda de água basal que é muito comum ouvirmos conselhos para consumir por volta de 1,5 a 3 litros de água por dia.
Porém, os valores descritos acima são apenas aproximações, estimadas em situações cotidianas. Em dias muitos quentes, por exemplo, a perda de água pela pele é muito maior do que em dias frios. Perdemos diariamente cerca 400 ml de água pela pele quando a temperatura está ao redor dos 20ªC, mas essa perda pode ser maior que 1 litro quando o termômetro passa dos 35ºC. Da mesma forma, em uma única sessão de sauna de 20 minutos é possível perder até 500 ml de água. Pacientes com febre também perdem mais mais água pela pele que o habitual.
A pratica de atividade física também influencia na perda de água pela pele. A cada hora de exercício pesado, o corpo pode perder mais de 1 litro de água, dependendo da temperatura exterior. Em uma maratona, por exemplo, você pode perder mais de 5 litros de água.
As perdas de água pela respiração também elevam-se durante o exercício, podendo chegar a 600 ml por dia. Pessoas que vivem ao nível do mar e sobem para altitudes acima de 2500 metros acabam perdendo mais água pelas vias respiratórias, pois a menor disponibilidade de oxigênio faz com que elas aumentem o trabalho pulmonar e acelerem a frequência respiratória.
Outra situação comum que pode alterar dramaticamente a quantidade de água perdida é a ocorrência de diarreia ou vômitos. Um paciente com uma intoxicação alimentar perde facilmente 1 litro de água diária por vômitos e/ou diarreia.
c) Quantidade de água nos alimentos
A água que consumimos não vem só dos líquidos. Todos os alimentos têm água, alguns em maior ou menor quantidade. Em geral, somente através dos alimentos, conseguimos ingerir cerca de 0,5 a 1 litro de água por dia. Sopas, iogurtes, sorvete, gelatina ou qualquer outro alimento que assuma a forma líquida na temperatura ambiente deve ser contabilizado como consumo de líquidos. Entre os alimentos sólidos, as frutas, verduras e legumes são habitualmente os mais ricos em água, como a melancia, laranja, tomate, alface, pepino, pimentão, couve-flor, etc.
Portanto, como podemos ver, as necessidades de água podem variar não só de indivíduo para indivíduo, como também de um dia para o outro. A famosa recomendação de 2 litros de água por dia pode ser suficiente para alguns casos, mas com certeza será insuficiente em muitas situações.

Como saber se eu preciso beber mais água?

Nosso organismo é equipado com alguns mecanismos de defesa contra a desidratação. Toda vez que o volume de água corporal reduz-se e as células começam a se desidratar, o cérebro lança mão de 2 ações: o surgimento da sensação de sede e a liberação de hormônios que estimulam os rins a reter água.
Portanto, se você tem sede frequentemente e a sua urina encontra-se muito concentrada, ou seja, com pouca água, isso é um sinal de que o seu organismo está tentando compensar um estado de carência de água.
O mecanismo de sede é muito sensível e costuma ser ativado em fases muito iniciais da desidratação. A nossa boca e a faringe são ricas em receptores que identificam rapidamente que a pessoa está consumindo água, motivo pelo qual a sensação de sede desparece assim que bebemos água.
O cérebro sabe que você ingeriu água antes dela ter sido absorvida no trato gastrointestinal e distribuída pelas células do corpo. A água gelada estimula esses receptores de forma mais intensa, por isso, quando estamos com sede, ela parece ser mais eficaz que a água na temperatura ambiente, apesar de hidratar da mesma forma.
O mecanismo de sede é muito importante, mas ele pode não ser tão confiável em algumas pessoas, principalmente nos idosos ou em indivíduos doentes. Uma forma simples de saber se a pessoa está desidratada mesmo sem ter sede é avaliar o quão úmido estão a língua e o interior da boca. Se ao longo do dia o indivíduo tem a boca e a língua bem secas, sem nenhum sinal de saliva, isso é um sinal claro de desidratação.
A cor da urina é outra forma de avaliar o estado de hidratação da pessoa. Uma urina muito amarelada e com cheiro forte indica que os rins estão retendo água. Por outro lado, uma urina totalmente transparente, com cor de água e em grandes volumes, significa que os rins estão excretando elevadas quantidades de água do corpo. Em geral, a urina saudável é aquela com um amarelo bem clarinho.
Um terceira forma de avaliar o estado de hidratação é através do peso. Pese-se antes e depois de fazer alguma atividade física. A diferença será a quantidade  de água que você perdeu neste período. Você pode fazer o mesmo no trabalho, pesando-se logo depois do café da manhã e antes do almoço. Se após o café você pesava 71 quilos e antes do almoço pesa 70,6 kg (sem ter ingerido nada nesse período), isso significa que você perdeu cerca de 400 gramas (400 ml) de água neste período. Isso serve como uma base meio grosseira para você calcular o quanto perde de água por hora no trabalho.
Portanto, você deve beber água sempre que tiver sede. Se você tem sede várias vezes por dia, isso é um sinal de que precisa aumentar o consumo de água. Aumente a ingestão de água também caso a sua urina esteja persistente muito concentrada.

Intoxicação por água

A intoxicação por água é um evento muito mais comum do que as pessoas imaginam. A água torna-se tóxica quando ela é consumida em quantidades muito acima do necessário em relativamente pouco tempo, diluindo o sangue e fazendo com que a concentração de sódio sanguíneo caia para níveis perigosos de forma aguda.
A intoxicação por água tem sido muito relatada em participantes de maratonas, triatlos ou outras competições de intenso esforço. Quando suamos de forma prolongada, o corpo perde grandes quantidades de água e sais minerais, principalmente sódio (Na+), que é o principal eletrólito do sangue. Quando este atleta se reidrata apenas com água, ele repõe as necessidades de água do corpo, mas não a quantidade de sais minerais perdidos no suor, o que leva a um quadro de baixa concentração de sódio no sangue, conhecido como hiponatremia.
Se o atleta durante a corrida consome um volume de água maior do que aquele que ele perdeu no suor, o risco de hiponatremia torna-se ainda mais alto.
A substituição de água por isotônicos comerciais não muda muito a situação, pois estes possuem baixa concentração de sódio. Uma garrafa de Gatorade, por exemplo, possui uma concentração de sódio de apenas 23 meq/L, que é muito abaixo dos 140 meq/L do nosso sangue.
Portanto, apesar de serem um pouco melhor que a água pura, os isotônicos, se consumidos em grande quantidade, também podem causar hiponatremia.
Atualmente, recomenda-se que os atletas consumam água de acordo com a sua sede. Desta forma, o corpo consegue controlar de forma mais segura a quantidade de água e sódio do organismo.
Graus leves de hiponatremia não costumam causar sintomas, principalmente se a redução do sódio for se estabelecendo de forma lenta, ao longo de vários dias. Porém, casos de hiponatremia grave e aguda, como são aquelas que ocorrem nos casos de intoxicação pela água, podem causar edema cerebral e até levar à morte.
A intoxicação por água não ocorre só em atletas que se reidratam de forma incorreta. Em 2007, um caso fatal de intoxicação tornou-se muito famoso nos EUA. Durante um concurso promovido por uma rádio, que premiava o participante que bebesse mais água e conseguisse segurar a urina, uma mulher de 28 anos desenvolveu um quadro de grave intoxicação por água e morreu em casa horas depois do concurso.
Algumas pessoas com problemas psiquiátricos costumam ingerir água de forma descontrolada, podendo beber mais de 10 a 15 litros por dia, o que é um fator de risco para ocorrer intoxicação por água.
https://www.mdsaude.com/2015/07/quantos-litros-de-agua-devemos-beber-por-dia.html

TERMOGÊNICOS – Riscos e Efeitos Colaterais... Complemento termogênico é uma substância que ajuda a acelerar o metabolismo e a aumentar a temperatura corporal, auxiliando na queima de gorduras e perda de peso.

ômega 3 
O ômega 3 é uma família de ácidos graxos poli-insaturados (gorduras saudáveis), que parecem ter diversos efeitos benéficos no organismo, principalmente no sistema cardiovascular e no cérebro.
O interesse da medicina no ômega 3 surgiu quando descobriu-se que os esquimós eram um grupo com baixa incidência de doença cardiovasculares, apesar de terem uma dieta com elevada quantidade de gorduras, o que na época parecia uma contradição. Pesquisas subsequentes, porém, mostraram que o tipo de gordura ingerida pelos esquimós era predominantemente composta por ácidos graxos poli-insaturados, ricos em EPA (ácido ecosapentaenóico) e o DHA (ácido docosaexaenoico), duas formas de gordura da família do ômega 3.
Neste artigo vamos explicar o que é o ômega e quais são alimentos ricos neste tipo saudável de gordura. Vamos também fazer uma revisão dos principais estudos para mostrar quais são os benefícios cientificamente comprovados do ômega 3.

O que é o ômega 3

Se a gordura fosse uma casa, os ácidos graxos seriam os seus tijolos. Os ácidos graxos são, portanto, as unidades básicas que formam as gorduras.
O nosso organismo precisa de gordura para funcionar adequadamente, e os ácidos graxos são essenciais na formação e no funcionamento das células. O problema é que nem todos os tipos de gordura são essenciais, e algumas delas, quando em excesso, podem nos fazer mal, como é o caso das gorduras saturadas.
Classificamos os ácidos graxos em 3 tipos, conforme as suas características químicas:
  • Ácidos graxos saturados.
  • Ácidos graxos monoinsaturados.
  • Ácidos graxos poliinsaturados.
Os alimentos ricos em gorduras saturadas são aqueles que mais nos fazem mal, causando elevação do colesterol LDL (colesterol ruim) e um maior risco de doenças cardiovasculares (leia: COLESTEROL HDL, COLESTEROL LDL E TRIGLICERÍDEOS). Exemplos de alimentos ricos em gordura saturada são: banha, bacon, toucinho, manteiga, queijos amarelos, leite integral, pele do frango, creme de leite, gema do ovo, carnes vermelhas, sorvete cremoso, chocolate, azeite de dendê, embutidos e biscoitos.
Já os alimentos ricos em gorduras mono e poliinsaturadas são mais saudáveis, pois ajudam a reduzir o colesterol ruim e nos protegem das doenças cardiovasculares. Exemplos de alimentos ricos em gordura mono ou poliinsaturadas são: abacate, nozes, azeitona, óleos vegetais (soja, canola, girassol, soja, milho, azeite, etc), oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas, etc), sementes oleaginosas (gergelim, linhaça, girassol, abóbora, etc) e peixes como salmão, atum, truta, anchova e sardinha.
Existem vários tipos de ácidos graxos saturados, monoinsaturados e poliinsaturados. O ômega 3 é um dos tipos de ácido graxo poliinsaturado, que é o tipo de gordura mais saudável de todas.
Na verdade, o ômega 3 é uma família de ácidos graxos poliinsaturados, composta pelos seguintes ácidos graxos:
  • EPA (ácido ecosapentaenóico).
  • DHA (ácido docosaexaenoico).
  • ALA (ácido alfa-linolênico).
O EPA e o DHA são um tipo de ômega 3 normalmente encontrados em peixes, como salmão e sardinha, enquanto o ALA é um tipo de ômega 3 existente nas carnes, soja, óleos vegetais e alimentos tais como óleo de canola, óleo de linhaça, nozes, sementes de chia e sementes de cânhamo.
O nosso organismo é capaz de converter o ALA ingerido em EPA e DHA, que são ácidos graxos essenciais ao funcionamento normal do nosso organismo.

Fontes artificiais de ômega 3

Conforme os benefícios para a saúde do ácido graxo ômega 3 foram sendo descobertos e divulgados na mídia, a indústria dos complementos alimentares viu nesta substância uma ótima fonte para obtenção de novas receitas.
Atualmente, o ômega 3 é facilmente encontrado sob a forma de cápsulas gelatinosas, que contêm 1000 mg de óleo de peixe. É importante destacar que as concentrações de EPA e DHA, os tipos de ômega 3 que o nosso corpo precisa, podem ser bastante diferentes de uma marca para outra. Em 1000 mg de óleo de peixe podem haver desde apenas 200 mg até 950 mg de EPA + DHA.
A dose diária atualmente recomendada de EPA + DHA é de cerca de 250 a 500 mg, o que pode ser obtida através de 1 ou 2 comprimidos por dia de óleo de peixe, de acordo com a marca que você comprou.
Populações que têm uma dieta baseada em alimentos ricos em gordura poliinsaturadas, especialmente ômega 3, apresentam claramente uma incidência menor de doenças cardiovasculares, hipertensão, colesterol elevado, diabetes e obesidade. Porém, é provável que esses resultados não venham exclusivamente do consumo de doses elevadas de ômega 3. A própria dieta mais saudável como um todo com certeza tem um importante papel. Por isso, ainda não está bem claro se há benefícios em fornecer suplementos de ômega 3 para as populações com dietas ricas em gorduras saturadas e pobres em gorduras poliinsaturadas.
Também faz-se necessário destacar que com o consumo de 2 refeições de peixes ricos em ômega 3 por semana é possível obter a mesma quantidade de EPA e DHA que se obtém ao tomar 1 ou 2 comprimidos de óleo de peixe por dia. Portanto, é muito mais saudável e barato consumir regularmente peixes como salmão, sardinha, arenque, anchova, truta e atum do que gastar fortunas comprando suplementos de ômega 3 todo mês.
Pelos motivos expostos acima, não se indica a suplementação de ômega 3 para toda a população de forma indiscriminada. Para a grande maioria das pessoas, basta um maior cuidado na dieta para que se obtenha os ácidos graxos essenciais ao bom funcionamento do organismo. Pessoas com elevado risco cardiovascular que não consigam consumir nem ao menos 2 porções semanais de peixes ricos em ômega 3 podem se beneficiar do suplemento de 1000 a 2000 gramas de óleo de peixe, caso o seu médico ache necessário. Porém, deve-se realçar que a suplementação de ômega 3 de forma alguma é tão benéfica ao organismo quanto uma dieta saudável.

Benefícios do consumo de ômega 3

Vamos a seguir fazer uma rápida revisão dos benefícios comprovados do consumo de alimentos e de suplementos ricos em ômega 3. Para facilitar o entendimento, toda vez que falarmos em “suplementação de ômega 3” estaremos nos referindo apenas ao consumo de óleo peixe através de cápsulas, e não ao consumo de ômega 3 pela dieta.
Para o colesterol
O consumo de ômega 3 pode reduzir as concentrações de triglicéridos no sangue em até 25 a 30%, um efeito que é bastante parecido com as drogas atualmente utilizadas no tratamento da hipertrigliceridemia (leia: O QUE SÃO OS TRIGLICERÍDEOS?). Porém, para que se obtenha esses resultados, doses elevadas precisam ser consumidas, mais ou menos o equivalente a 4000 mg de óleo de peixe. Com consumos menores que 1000 mg por dia, o efeito nos triglicerídeos é praticamente nulo.
A suplementação de óleo de peixe também eleva ligeiramente as concentrações de colesterol HDL (colesterol bom) em cerca de 3%. O efeito sobre o colesterol LDL (colesterol ruim) só é relevante quando o consumo de ômega 3 é obtido na dieta. Se o paciente come pouco peixe e muita carne vermelha e frituras, o efeito da suplementação de óleo de peixe no LDL acaba sendo pouco eficaz (leia: DIETA PARA BAIXAR O COLESTEROL ALTO).
O consumo diário de pelo menos 2000 mg de EPA + DHA  parece estar ligado a um menor risco de desenvolvimento de placas de colesterol nas artérias. Esse efeito é mais pronunciado quando o ômega 3 é obtido em uma dieta saudável, pois, neste caso, não há os efeitos maléficos do excesso de gordura saturada para contrapor a ação do ômega 3.
Para a pressão arterial
O consumo de pelo menos 1000 mg de EPA + DHA é capaz de reduzir os níveis da pressão arterial em até 5 mmHg de pressão sistólica e 3 mmHg de pressão diastólica (por exemplo: a pressão arterial diminui de 150/90 mmHg para 145/87 mmHg). Porém, quando o ômega 3 é obtido através de uma dieta saudável, os efeitos são maiores, pois o consumo de sal e gorduras saturadas são responsáveis pelo aumento da pressão arterial (leia: CAUSAS DE HIPERTENSÃO ARTERIAL (PRESSÃO ALTA)).
O efeito do ômega 3 sobre a pressão arterial é mais pronunciado em pessoas com mais de 45 anos e menos efetivo nos pacientes entre os 15 e 30 anos.
Para o coração
O ômega 3 apresenta diversos efeitos benéficos para o coração como um todo, pois melhora a eficiência do músculo cardíaco, reduz a demanda de oxigênio, controla a frequência cardíaca e reduz o risco de arritmias (leia: PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS).
Já sabemos há muitos anos que uma dieta saudável, rica em ômega 3 e pobre em sal e gordura saturada, está claramente ligada a uma menor incidência de doenças cardiovasculares e morte súbita de origem cardíaca (leia: CAUSAS DE MORTE SÚBITA). A questão atualmente é perceber se a simples suplementação do EPA e do DHA também é capaz de proporcionar esses resultados. Os estudos nessa área ainda são inconclusivos.
Para o cérebro
O consumo regular de ômega 3 na dieta parece estar relacionado a um menor risco de desenvolvimento de demências, incluindo a doença Alzheimer (leia. MAL DE ALZHEIMER | Sintomas e tratamento). O benefício do uso de suplementos na prevenção da demência ainda não está bem estabelecido.
Em relação ao risco de AVC, a situação é semelhante. Uma dieta saudável, rica em ômega 3, claramente reduz o risco de derrames cerebrais. Todavia, o papel da suplementação com óleo de peixe ainda é incerto. Até o momento não há evidências convincentes de que tomar óleo de peixe em cápsulas diminua o risco de AVC.
Para o diabetes
A suplementação de ômega 3, mesmo em doses muito elevadas, não parece trazer benefícios ao metabolismo da glicose, não servindo como ajuda para os pacientes com diabetes ou pré-diabetes (leia: O QUE É DIABETES?).
Por outro lado, uma dieta saudável, rica em ômega 3 e pobre em gorduras saturadas, está claramente associada a uma menor incidência de diabetes. No caso do controle dos níveis de glicose, fica claro que a suplementação pura e simples do ômega é ineficaz. Os efeitos maléficos de uma dieta pouco saudável se sobrepõem a qualquer efeito benéfico que o EPA e o DHA possam ter.
Ação anti-inflamatória do ômega 3
O potencial efeito anti-inflamatório do óleo de peixe costuma receber muita atenção da imprensa leiga, dado o conhecido papel de EPA e DHA no controle de alguns mediadores inflamatórios. No entanto, na prática, o efeito anti-inflamatório do ômega 3 ainda não está bem claro e parece ser bem menos relevante do que costuma ser propagandeado.
Um dos principais marcadores de atividade inflamatória do organismo é uma substância chamada proteína C reativa (PCR). Sabemos que pacientes com níveis de PCR constantemente acima do normal apresentam um maior risco de desenvolverem doenças cardiovasculares. Nos estudos efetuados, porém, a suplementação de ômega 3 não apresentou nenhum efeito nos níveis médio de PCR, o que sugere que o seu efeito anti-inflamatório não é assim tão relevante (leia: PROTEÍNA C REATIVA – EXAME PCR).
A maioria dos estudos clínicos que procuram examinar os efeitos anti-inflamatórios do óleo de peixe costumam estar centrados na artrite reumatoide, uma doença autoimune que causa intensa inflamação das articulações (leia: ARTRITE REUMATOIDE | Sintomas e tratamento). Uma série de estudos descobriram que a suplementação de ômega 3 até ajuda a reduzir a intensidade da dor das artrites, o que é um efeito interessante, pois ajuda a reduzir as doses da drogas anti-inflamatórias não esteroides (AINE), mas não trata a inflamação em si, pois não retarda a progressão da doença nem o aparecimento das deformidades articulares.
O mesmos resultados costumam ser encontrados nos estudos de outras doenças, como lúpus, osteoatrose e até no tratamento das cólicas menstruais. Há alguma ação sobre a intensidade da dor, mas o efeito anti-inflamatório do ômega 3 é apenas discreto, não tendo eficácia sobre a origem do processo inflamatório.
Para a doença de Berger (nefropatia por IgA)
A nefropatia por IgA é uma doença dos glomérulos renais que pode levar, a longo prazo, à insuficiência renal grave. O uso de óleo de peixe tem sido sugerido como uma opção complementar ao tratamento habitual nas formas mais brandas, pois parece diminuir o risco de progressão da doença. Apesar de ainda não haver consenso sobre a real eficácia do ômega 3, a maioria dos nefrologia acaba indicando o seu uso nas doses de 3000 a 4000 mg por dia.
Para a depressão
Apesar de também ser bastante divulgado na imprensa leiga, o fato é que não há dados claros para se afirmar que a suplementação de ômega 3 ajude no tratamento da depressão. Há estudos que dizem que sim, mas há também vários outros que não conseguiram provar essa associação.

Efeitos colaterais da suplementação de ômega 3

Apesar de muitos dos efeitos benéficos da suplementação de ômega 3 ainda não estarem totalmente comprovados, a princípio, por ser um produto “natural”, o consumo das cápsulas de óleo de peixe seria na pior das hipóteses apenas perda de dinheiro. O problema é que, na prática, os suplementos de óleo de peixe, principalmente em doses altas, apresentam efeitos colaterais que podem ser muito inconvenientes.
Muitos dos estudos que mostram efeitos benéficos para a saúde foram feitos com doses de ômega 3 acima de 4000 mg por dia, alguns com doses maiores que 10000 mg por dia. O problema é que a partir da dose de 3000 mg por dia, os efeitos colaterais dos suplementos de ômega 3 começam a ficar mais frequentes e intensos. Os mais comuns são as náuseas, diarreia, cólicas abdominais, excesso de gases e hálito com cheiro de peixe. Este último efeito adverso costuma ser bastante incômodo, sendo uma frequente causa de abandono do tratamento.
Em geral, não é recomendado o consumo de mais de 3000 ou 4000 mg de óleo de peixe por dia.
Em doses elevadas, o óleo de peixe pode aumentar o risco de sangramentos, principalmente em pacientes com problemas de coagulação ou medicados com drogas que agem sobre a coagulação, tais como aspirina, clopidogrel, ticlopidina, heparina e varfarina (leia: VARFARINA (Marevan,Varfine, Coumadin) | Controle do INR).
https://www.mdsaude.com/2015/01/omega-3.html