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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Análise do livro: Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa...

Análise do livro: Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa




Para Paulo Freire, o ensino é muito mais que uma profissão, é uma missão que exige comprovados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educandos.

Através desse trabalho Paulo Freire, faz com que os educadores, assumam uma postura crítica e analisem as relações: alunoXprofessor; alunoXpesquisa/conhecimento - professor e alunoXcontexto sócio-político-cultural – professor; buscando que no seu cotidiano educacional, o próprio discurso teórico seja um aliado à sua aplicação prática.

O autor “anuncia a solidariedade enquanto compromisso histórico de homens e mulheres, como uma das formas de luta capazes de promover e instaurar a” “ética universal do ser humano””. (p.11).

A Pedagogia da Autonomia é sem dúvida um manual de procedimentos que servem como pontos orientadores, não só para educação, mas, para uma análise de nossa relação diária com outros seres humanos, já que nos faz refletir sobre a libertação do pensamento de tradições desumanizantes _ porque opressoras.

Capítulo 1 – Não há Docência sem discência


“Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (p.23)

. Ensinar Exige ...

. RIGOROSIDADE METÓDICA: O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis” (p.26).
O educador tem o papel de não apenas ensinar os conteúdos programáticos, “mas também ensinar a pensar certo” (p.27), para que com isso possa estabelecer-se a verdadeira aprendizagem, onde educador e educandos são sujeitos de um processo dinâmico da construção e reconstrução do saber.

. PESQUISA: “Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo” (p.29).

A pesquisa é de suma importância para aquisição de novos conhecimentos, já que vivemos num momento histórico, em que as mudanças ocorrem de uma forma muito dinâmica, logo,

é muito importante que o professor se assuma e perceba que a pesquisa faz parte de sua formação permanente e que ele seja visto como pesquisador.

. RESPEITO AOS SABERES DOS EDUCANDOS: Por isso mesmo pensar certo coloca ao professor ou, mais amplamente, à escola, o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os da classe populares, chegam a ela saberes socialmente construídos na prática comunitária” (p.30).

O educador que respeita os saberes dos educandos, tem a possibilidade de buscar lado a lado com os educandos, soluções para problemas que fazem parte da realidade social onde os mesmos estão inseridos, como por exemplo: a violência que ocorre nos dias atuais.

. CRITICIDADE: “Na verdade, a curiosidade ingênua que,“desarmada”, está associada ao saber do senso comum, é a mesma curiosidade que, criticizando-se, aproximando-se de forma cada vez mais metodicamente rigorosa do objeto cognoscível, se torna curiosidade epistemológica” (p.31).

Para que se estabeleça essa criticidade, é necessário que a curiosidade nos impulsione em direção dos desafios, e através da criatividade possamos supera-los e acrecentarmos algo a que fazemos.

. ESTÉTICA E ÉTICA: “Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos seres éticos” (p.33).

O educador tem um papel de formar o educando,logo, tendo um papel importante na sua formação moral.

. CORPO REIFICAÇÃO DAS PALAVRAS PELO EXEMPLO: O professor que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a formula farisaica do “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”. Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada vale. Pensar certo é fazer certo” (p.34).

A prática tem que estar condizente com as atitudes do educador, possibilitando assim ao educando, questiona-la, sem que com isto, gere um clima desagradável entre educadorXeducando.

. RISCO, ACEITAÇÃO DO NOVO E REJEIÇÃO A QUALQUER FORMA DE DISCRIMINAÇÃO: “É próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só por que é novo, assim com o critério de recusa do velho não é apenas o cronológico” (p.35).

O educador através de um processo dialógico, vai interagir junto com o educando na produção de novos conhecimentos e na clareza dos conceitos, para que seja evitado qualquer tipo de discriminação.

. REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A PRÁTICA: “A prática docente critica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer” (p.38).

O educador tem que estar sempre em constante reflexão crítica sobre sua prática, para que seu discurso teórico ande lado a lado com ela, para que ele possa perceber, quando são necessárias mudanças.

. RECONHECIMENTO E ASSUNÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL: “Assumir-se como ser social histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva por que capaz de amar. Assumir-se como sujeito por que capaz de reconhecer-se como objeto. A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros” (p.41).

Assumir-se como parte de um processo dinâmico vivo, onde temos o direito a termos emoções e com isto mudarmos a realidade.

“A questão da identidade cultural, de que fazem parte a dimensão individual e a classe dos educandos cujo respeito é absolutamente fundamental na prática educativa progressista, é problema que não pode ser desprezado” (p. 41-42).

O educador tem que participar da inserção do educando no processo da identidade cultural, deixando de se colocar como dono da verdade e do “saber articulado”, para que se possa colocar as instituições sob uma constante análise metódica e com isto, buscar alcançar uma prática educativa progressista autêntica.




Capítulo 2 –Ensinar não é transmitir conhecimento

“Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” (p.47).

. Ensinar Exige ...

. CONSCIÊNCIA DO INACABAMENTO:” O do inacabamento do ser humano. Na verdade, o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento” (p.50).

Somente os seres humanos têm consciência que somos seres inacabados, entretanto, através dos instrumentos que dispomos: a linguagem, a cultura, a comunicação, etc, devemos buscar uma “espiritualização” do mundo, para que possamos ser considerados como seres éticos e tornarmos-nos capazes de intervirmos no mundo com responsabilidade, buscando no futuro sermos seres menos inacabados.

. RECONHECIMENTO DE SER CONDICIONADO:” Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influencia das forças sociais, que mão se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo” (p.53).

A partir do momento que aceito ser condicionado pelas relações estabelecidas no contexto social, me possibilita estando inserido nesse contexto, através de um processo de conscientização, lutar para não ser mero objeto, mas, ser um sujeito participante de todo esse processo histórico, buscando com isto: “a não conclusão que se reconhece a si mesma implica necessariamente a inserção do sujeito inacabado num permanente processo social de busca” (p.55).
. RESPEITO À AUTONOMIA DO SER DO EDUCANDO:” O respeito a autonomia e a dignidade cada um e um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros” (p.59).

O educador tem que respeitar a autonomia e a identidade do educando, para que ele não seja um “transgressor da natureza humana” (p.60).

. BOM SENSO:” A vigilância do meu bom senso tem uma importância enorme na avaliação que, a todo instante, devo fazer de minha prática” (p.61).

O bom senso me possibilita a estar sempre fazendo uma análise crítica da minha prática, do meu respeito pelo educando, da minha ética, etc.

. HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES:” A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte” (p.66).

O educador mesmo diante do descaso em que se encontra a educação pública no país, deve estar ciente de ter desenvolvido perante aos educandos: a humildade, a tolerância, o amor, o respeito, etc. Fatores estes, que possibilitaram a aquisição do respeito por partes dos educandos, na sua luta por salários mais dignos, por melhores condições de trabalho, ou seja, por uma “luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores” (p.67).

. APREENSÃO DA REALIDADE:” A capacidade de aprender, não apenas para nos adaptar mas sobretudo para transformar a realidade, para nela investir, recriando-a, fala de nossa educabilidade a um nível distinto do nível do adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas.” (p.68-69).

O educador tem que aprender a realidade onde será feita sua práxis, para que ele possa participar como um agente transformador e possa possibilitar a construção e/ou a reconstrução necessárias, que favoreça o crescimento do educador e do educando.

. ALEGRIA E ESPERANÇA:” O meu envolvimento com a prática educativa, sabidamente política, moral, gnosiológica , jamais deixou de ser feito com alegria, o que significa dizer que tenha invariavelmente podido criá-la nos educandos. Mas, preocupado com ela, enquanto clima ou atmosfera do espaço pedagógico, nunca deixei de estar” (p.72)
Vivemos numa sociedade com tanta desigualdade social, que através da esperança obtemos forças, para enfrentarmos todos os obstáculos, e ficamos muito alegres quando estamos conscientes que estamos inseridos em todo esse processo histórico dinâmico e podemos participar como sujeitos de todos os processos de mudanças, que nos possibilite viver numa sociedade mais justa.

. CONVICÇÃO DE QUE A MUDANÇA É POSSÍVEL:” É o saber da história como possibilidade e não como determinação. O mundo não é. O mundo está sendo” (p.76).
Acreditamos que a mudança é possível, entretanto, precisamos adotar uma postura política-pedagógica, como sujeitos que desejam que essas mudanças ocorram e para isso, devem tomar decisões, devem ter o direito de escolha e de intervenção na realidade, para possibilitar a libertação do oprimido.

. CURIOSIDADE:” Se há uma prática exemplar como negação da experiência formadora é a que dificulta ou inibe a curiosidade do educando e, em conseqüência, a do educador. É que o educador que, entregue a procedimentos autoritários ou paternalistas que impedem ou dificultam a curiosidade do educando, termina por igualmente tolher sua própria curiosidade” (p.84-85).

A curiosidade deve ser estimulada, entretanto, ela não deve invadir a privacidade do outro, é importante que professores e alunos se assumam “epistemologicamente curiosos” (p.86),por que através do exercício da curiosidade podemos: exercitar a imaginação, a capacidade de comparação, as emoções, etc.


Capítulo 3 – Ensinar é uma especificidade humana

“... a autoridade não necessita de, a cada instante, fazer o discurso sobre sua existência, sobre si mesma. Não precisa perguntar a ninguém, certa de sua legitimidade, se” sabe com quem está falando?”. Segura de si, ela é porque tem autoridade, porque a exerce com indiscutível sabedoria” (p.91).

. Ensinar Exige ...

. SEGURANÇA, COMPETÊNCIA PROFISSIONAL E GENEROSIDADE: “O professor que não leve a sério a sua formação, que não estude, que não se esforce para estar a altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe... Outra qualidade indispensável à autoridade em suas relações com as liberdades é a generosidade” (p.92).
O educador tem que estar sempre reciclando seus conhecimentos, porque estamos vivendo num momento histórico dinâmico, onde as informações passam por profundas mudanças em curto espaço de tempo, e é necessário que haja segurança na relação entre educador X educando, no momento da transmissão dos conteúdos que necessitam ser aprendidos. Outro aspecto muito importante, é que somente através de um clima de respeito, poderá ser estabelecida uma relação democrática, onde imperem a humildade, a justiça, e a generosidade, entre educadorXeducando, tornando-se possível: a “reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia” (p.94).

. COMPROMETIMENTO: “Não posso ser professor sem me pôr diante dos alunos, sem revelar com facilidade ou relutância a minha maneira de ser, de pensar politicamente. Não posso escapar a apreciação dos alunos” (p.96).

É necessário que o educador tenha uma visão crítica, da autenticidade entre o que ele fala e maneira pela qual ele se comporta, assumir perante aos educandos que ele não é o “dono do saber”, logo, as perguntas que ele não tem conhecimento das respostas, através da pesquisa, juntos eles poderão encontrar as respostas, possibilitando com isto, que a aprendizagem tenha um comprometimento solidário entre educadorXeducando, impedindo assim a neutralidade e a fragmentação da educação, aspectos desejados pela ideologia dominante.

O professor tem que deixar transparente para os alunos: a sua capacidade de análise, de opção nas tomadas de decisões, o que entende de avaliação e de que se for necessário, o romper com padrões pré-estabelecidos, para que seja feita justiça em nome de sua ética, em favor dos oprimidos.

. COMPREENDER QUE A EDUCAÇÃO É UMA FORMA DE INTERVENÇÃO NO MUNDO :" Intervenção que além dos conhecimentos dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento” (p.98).

A educação é uma forma de intervenção no mundo, porque ela está presente em todos os momentos de nossa vida: histórico/social/político/econômico.

O educador, entretanto, deverá escolher se colocará sua teoriaXprática, a serviço da elite dominante, fazendo uso de uma práxis articuladora; ou a favor dos oprimidos, adotando uma postura pedagógica-política, que busque a transformação dos seres humanos e do contexto social em que ele está inserido.

. LIBERDADE E AUTORIDADE: “A liberdade amadurece no confronto com outras liberdades, na defesa de seus direitos, em face da autoridade dos pais, do professor, do Estado” (p.105-106).

Para o amadurecimento do ser humano, é necessário que a liberdade seja vivenciada por uma dose de autoridade, o que possibilitará uma análise crítica das conseqüências, quando tivermos de tomar decisões, processo contínuo ao longo de nossas vidas.

. TOMADA CONSCIENTE DE DECISÕES: “Quando falo em educação como intervenção me refiro tanto à que aspira a mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à saúde, quanto a que, pelo contrário, reacionariamente pretende imobilizar a História e manter a ordem injusta” (p.109).

O educador tem que estar consciente, que a tomada consciente de decisões, torna possível que ocorra transformações; da importância de seu papel político-pedagógico, como agente interventor da realidade, propiciando assim, o respeito aos educandos e aos educadores.

. SABER ESCUTAR: “Se, na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é escutando que aprendemos a falar com eles” (p.113).
Todos nós temos que saber escutar, no caso específico do educador esse processo, possibilita com um contato direto com a realidade vivida pelo educando, a mudança de seu discurso, contribuindo assim para uma melhor aprendizagem.

Para que o educador saiba escutar, ele tem que estar consciente que não é “dono do saber” e que pode:

_ aprender enquanto ouve; motivar o desenvolvimento da curiosidade; exercitar a análise crítica, poder exemplificar a liberdade, demonstrar a necessidade do respeito, ajudar o educando a vencer suas dificuldades; superar preconceitos, observar como é importante a humildade; a generosidade de se colocar no lugar do outro e demonstrar da possibilidade de uma comunicação democrática entre alunoXprofessor.

. RECONHECER QUE A EDUCAÇÃO É IDEOLÓGICA: “Saber igualmente fundamental à prática educativa do professor ou da professora é o que diz respeito à força, às vezes maior do que pensamos, da ideologia” (p.125).

Temos que reconhecer que a educação é ideológica e através do seu discurso ideológico, pode-se ocultar a verdade dos fatos, assim como: manipular os fatos, as coisas, os acontecimentos, gerar preconceitos e criar uma resistência a uma proposta educacional renovadora.

. DISPONIBILIDADE PARA O DIÁLOGO: “O sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na História” (p.136).

A partir da atitude dialógica, o educador pode trocar experiências e conhecimentos com os educandos, tornando-se possível: superar desafios, estimular a curiosidade e diminuir a distância entre educador e educando.

. QUERER BEM AOS EDUCANDOS: “E o que dizer, mas, sobretudo o que esperar de mim, se, como professor, não me acho tomado por este outro saber, o de que preciso estar aberto ao gosto de querer bem, às vezes, à coragem de querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo” (p.141).

Como desenvolver uma prática pedagógica-política, estritamente humana, sem que a afetividade esteja presente na relação educadorXeducando, porém, não deixando que essa afetividade ponha em risco a autoridade e propicie um ambiente desfavorável à produção de conhecimentos, impossibilitando assim, o desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos.

Sexualidade infantil - Por Fernanda Roche - Psicóloga Clínica...

Sexualidade infantil - Por Fernanda Roche - Psicóloga Clínica

Procurarei colocar para vocês alguns pontos importantes sobre sexualidade infantil, baseando-me em minha prática clínica no consultório e com grupos de mães, onde sempre aparecem dificuldades nesta área, seja através de pais aflitos com seus filhos ou mesmo de adultos que trazem algumas questões de ordem sexual que se originaram na infância e adolescência.


Já faz quase um século que Freud descreveu a sexualidade infantil, escandalizando a sociedade daquela época. Desde então, muito se estudou e falou sobre este assunto e, mais recentemente, com a inclusão da educação sexual nas escolas, os pais estão se dando conta de que as antigas fórmulas de "se livrar" do problema já não funcionam mais. As crianças sofrem cada vez mais a influência da TV, de amigos, de parentes, de babás e empregadas, muitas vezes recebendo noções erradas e prejudiciais. Se nós, os pais, conseguirmos manter um canal aberto com nossos filhos, poderemos discutir e intervir no que não nos parecer correto. Freqüentemente temos dúvidas sobre o que responder e até onde responder às perguntas de nossos filhos. Queremos que nossos filhos sejam mais bem preparados do que fomos, e que vivam sua sexualidade de forma mais consciente, mas não sabemos como fazê-lo. É importante, primeiro, que nos remetamos às nossas próprias dúvidas a este respeito quando éramos crianças e a como teríamos gostado que tivesse sido nossa orientação. Desta forma fica mais fácil entender a curiosidade de nossos filhos. A sexualidade é uma coisa natural nos seres humanos, é uma função como tantas outras. Freqüentemente estimulamos a evolução de nossos filhos em vários aspectos (comer sozinhos, andar, ler...), mas com a sexualidade somos cuidadosos e até mesmo preconceituosos. A criança fica com a sensação de que faltam pedaços em seu corpo - elogiamos olhos, perninhas, cabelos e outros, mas não falamos em seus órgãos sexuais. Educação sexual é um processo de vida inteira: teremos tempo de melhorar o que não conseguirmos explicar da forma como gostaríamos. Não é fácil para pais que não foram educados desta forma em sua infância, mas o importante é tentar melhorar a educação que possam oferecer a seus filhos. É bom saber que, assumindo ou não a tarefa de orientá-los, conversando ou não, estaremos dando educação sexual. Dependendo da atitude dos pais, as crianças aprendem se sexo é bonito ou feio, certo ou errado, conversável ou não. Há até bem pouco tempo, dizia-se às crianças que elas teriam vindo trazidas pela cegonha, ou que haviam sido compradas no hospital, ou ainda que teriam brotado de uma flor, etc. Hoje, sabemos que não há necessidade de mentir às crianças, mesmo porque elas são muito mais espertas, recebem informações de várias fontes, e, portanto, estas "mentirinhas bobas" só servirão para nos desacreditar ante os nossos filhos. Não pode ser considerado feio falar de algo que é natural. O melhor a fazer é falar a verdade, introduzindo neste momento palavras científicas ( pênis, vagina) para que possamos mostrar a seriedade do assunto, evitando assim gozações, malícia, palavras de duplo sentido. Inicialmente, as dúvidas das crianças dizem respeito às diferenças anatômicas entre os sexos e ao nascimento propriamente dito. Elas fazem suas próprias teorias sexuais, hipóteses acerca de como os bebês vão parar nas barrigas de suas mães. Aos poucos, estas teorias vão sendo questionadas e surgem então as dúvidas a respeito de como são produzidos, enfim, os bebês. As respostas devem ser simples e claras, não havendo necessidade de responder além do que lhe for perguntado. Dar respostas insuficientes faz com que a criança pergunte mais e mais ou, ainda, que vá procurar as respostas em outras fontes nem sempre confiáveis; por outro lado, dar respostas extensas demais, do tipo "aula completa", também não é indicado, é preciso buscar respostas de acordo com o que a criança for solicitando. É importante ficar claro o que exatamente ela gostaria de saber, para que a medida da resposta seja suficiente. A própria criança dará os sinais do momento mais adequado de saber cada coisa. Alguns de vocês podem estar se perguntando: "Será que tanta informação não acabará por estimular na direção errada?", ou então pensar: "Eu não recebi educação sexual alguma e estou muito bem". Contrariando preconceitos, pesquisas mostram que crianças esclarecidas tendem a ser mais responsáveis e a adiar o início de sua vida sexual (até porque sua curiosidade foi devidamente saciada) até que amadureçam, possam fazer uso de anticoncepcionais e escolher o parceiro certo. As outras vantagens de conversar com os filhos sobre sexo desde as primeiras dúvidas são: aumentar a intimidade e a afetividade entre si; abrir caminhos para que se possa conversar sobre tudo; informar corretamente, reduzindo as fantasias e a ansiedade delas decorrente; e, por fim, prevenir futura gravidez indesejável e contaminações por doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e a AIDS, entre outras. Muito importante será nossa atitude ao responder às perguntas: o tom de voz, a segurança nas informações, o fato de estarmos ou não à vontade, tudo isto é captado pela criança também sob a forma de informação. Há ainda a freqüente dúvida sobre quem deve falar com a criança. O ideal será sempre que o casal possa fazer isto junto, pois oferecerão visões diferentes e enriquecedoras, mas dependerá da identificação que a criança tiver com os pais ou com um deles em especial naquela fase da vida, ou, ainda, do temperamento de cada um. Pode ser mais fácil para um dos dois tocar neste assunto, evitando o "jogo do empurra". Ajudará muito o casal discutir claramente entre si antes de conversar com a criança. É possível que vocês se perguntem: "Que palavras usar?". Não é necessário ser especialista, mas acessível. À criança de menos de cinco anos, é preciso ser mais claro e preciso, já as maiores podem compreender uma informação mais elaborada. Não é preciso ser especialista para dar uma informação suficientemente boa. O fato é que estaremos no caminho certo se nossos filhos pensarem: "Vou perguntar a mamãe e papai que eles sempre me respondem". Se por acaso não puderem responder no momento, esclareçam qual é a dúvida e digam que responderão assim que puderem. Não finjam que "esqueceram" de responder. Se sentirem vergonha, digam. Pais humanos permitem uma maior identificação e autoconfiança. O abuso sexual é um assunto que geralmente gera desconforto, mas é fundamental que seja abordado nos dias de hoje, em que vemos os mais assustadores casos de perversão. O abuso geralmente é cometido por adulto pervertido ou criança mais velha que tenha sido abusada sexualmente. Para proteger nossos filhos, é preciso transmitir a eles a noção de que sexo não é feito entre criança e adulto ou criança mais velha, mas entre adulto e adulto, e que o amor melhora tudo porque torna mais completo. Segundo pesquisas, há alguns sinais mais claros de que houve abuso sexual com uma criança, que são a hiperexcitação, os pedidos à mãe para que brinque com seu órgão genital ou ao irmão ou coleguinha que coloque a boca em seu pênis / vagina , apatia generalizada, somados a sinais de medo. No caso de perceber que a criança apresenta medo, é preciso garantir-lhe proteção e não castigo. É preciso incluir sempre o amor ao passar estas informações às crianças. Às vezes ficamos tímidos em demonstrar intimidade em casa, diante de nossos filhos, e acabamos sem perceber por desvincular a noção de amor da de sexo, o que, em tempos de revistas, programas e outros apelos sexuais cada vez mais em evidência e à mão, acaba por contribuir para a banalização do sexo. Aos poucos, vai se tornando possível esclarecer que pode haver vida sexual sem gerar filhos. Dormir na cama dos pais é absolutamente contra-indicado; é necessário firmeza neste sentido. A cama dos pais pode ser o lugar perfeito para gostosas brincadeiras antes de dormir, ou ainda quando a família acorda pela manhã, mas não é recomendável que o filho tome o lugar de um dos pais ausente à cama, pois erotiza a criança de forma inadequada: elas fazem fantasias que não são benéficas ao desenvolvimento emocional. É preciso também dar a noção de privacidade aos filhos. Se a criança alegar medo, é preferível que um dos pais vá até a cama dela e a tranqüilize, voltando à sua cama em seguida. Sobre a nudez dos pais na frente da criança, o importante é buscar proceder da maneira mais espontânea possível, permitindo à criança a percepção das diferenças entre os sexos. É preciso usar o bom senso e a honestidade. A curiosidade diminuirá com o tempo, a partir dos seis ou sete anos a criança começará a ter pudor. O fundamental é ficar claro que a naturalidade permite uma visão saudável da sexualidade. O desenvolvimento da sexualidade humana começa com o contato físico, quando os bebês são segurados e acariciados. Os órgãos do sentido tem íntima relação com o centro sexual do cérebro e por isto a sucção ou o contato da pele provocam excitação nas crianças. Isto é necessário e natural que aconteça; não se deve privar o bebê de contatos corporais, o que não prejudicará nem tampouco estimulará inadequadamente a criança. A auto-exploração ou masturbação é outra experiência fundamental para a sexualidade saudável. A criança cedo aprende a brincar e a tirar prazer de seu próprio corpo, e isto faz parte de seu desenvolvimento tanto quanto engatinhar, andar ou falar. A experiência da auto-exploração só trará prejuízos se for punida ou se a criança sentir-se culpada por esta atividade natural. Cabe aos pais ignorar ou manifestar compreender o prazer que ela tira daquela experiência. Esta é apenas mais uma fase, e como tal tende a dar lugar a outras. Se a criança fizer isto na sua frente ou na de outras pessoas e você ache inadequado, diga que entende ser gostoso, mas que aquele não é o local certo, ensinando-lhe a noção de privacidade. É preciso ficar atento se a criança se masturba em público ou excessivamente. Ela pode estar se utilizando deste recurso para chamar a atenção dos pais para algum problema, que pode não ter nenhuma conotação sexual. Caso não consigam compreender sozinhos, peçam a ajuda de um profissional. Aquela antiga história de separar meninos e meninas em grupos diferentes no que se refere à sexualidade, estereotipando os papéis, também traz sérias implicações. Como se não bastasse o fato de negar o igual direito ao prazer no futuro sexual, é preciso saber que meninas passivas, educadas para a submissão, se tornam presas fáceis de abusadores sexuais; por sua vez, os meninos precisam ter espaço para demonstrar suas emoções, o que os prepara para ser pais afetivos. Os jogos sexuais infantis têm para a criança um sentido diferente daquele dado pelo adulto, e jamais deve acontecer com crianças de idades diferentes, para que não haja coerção. O aprendizado de palavrões é um fato comum entre as crianças a partir de quatro ou cinco anos. Em geral, repetem o que percebem ser proibido, embora não tenham a mínima idéia de seu significado. Em geral, esclarecer seu significado ajuda a criança a deixá-lo de lado e, mais uma vez, a aproxima de seus pais com quem poderão sempre contar para esclarecer suas dúvidas. Ensinar a criança que não é preciso imitar comportamentos inadequados desde pequena é extremamente importante, até para que futuramente ela não se sinta tentada, por coerção de grupos, a mostrar comportamentos que não sejam de sua livre e espontânea vontade, como fazer uso de cigarros, drogas e outros. Os meios de comunicação, que nos bombardeiam com programas de baixa qualidade, músicas erotizantes e danças de igual quilate, são hoje um grande impasse na educação de nossos filhos. Como evitar que a criança seja vítima desta superexposição inadequada do sexo e que assim se sexualize precocemente? O mais importante, atualmente, é que os pais tenham claro o tipo de orientação que desejam para seus filhos, e que lhes ofereçam outras opções de entretenimento. Buscar programas interessantes que estejam de acordo com a sua faixa etária, comprar discos infantis e roupas que estejam de acordo com sua idade são medidas que, se não evitam de todo, uma vez que a criança vive entre outras, ajudam a formar uma educação sexual mais adequada, garantindo-lhes no mínimo maior proteção. É preciso ainda que os pais fiquem atentos às mensagens contraditórias: estimular excessivamente as crianças no sentido do amadurecimento precoce, "queimando etapas", pode ser perigoso, pois elas podem perder o interesse por brincadeiras infantis, passando a imitar comportamentos adequados a "mocinhas e rapazinhos", o que inclui invariavelmente seus aspectos sexuais. Ao final desta exposição, talvez vocês percebam que poderiam ter feito melhor pela educação sexual de seus filhos, ou evitado algumas bobagens. Não devemos nos culpar por isto. Não nascemos sabendo e somos frutos da educação que tivemos. Assim como nossos pais, certamente fazemos o melhor que somos capazes, e será muito bom que possamos ter a oportunidade de repensar algumas situações e atitudes. Bibliografia: Heglen, Sten. Pedro e Carolina - Imago editora Suplicy, Marta. Papai, mamãe e eu -FTD Maldonado, Maria Teresa. Comunicação entre pais e filhos - Vozes editora. Pikunas, J. Desenvolvimento humano - Mc Graw Hill
Fonte:http://www.espacomorumbi.com.br/modules/news/article.php?storyid=105

Transtornos -- Transtornos ansiosos são mais comuns do que hiperatividade...

Transtornos -- Transtornos ansiosos são mais comuns do que hiperatividade


Todos nos sentimos ansiosos ou em pânico em alguns momentos, em qualquer fase da vida. O limite entre a normalidade e o problema de saúde está no quanto isso afeta o comportamento. Não é normal que uma criança se sinta excessivamente preocupada com o futuro ou tenha medo de uma festinha ou viagem. Assim como também não é normal (em qualquer idade) sentir dor de cabeça, falta de ar, náusea ou batimentos cardíacos acelerados – alguns dos sintomas de ataques de pânico.
Apesar de ser mais comum na idade adulta e final da adolescência, a síndrome do pânico pode ocorrer em crianças. Segundo o chefe do departamento de psiquiatria da infância da Santa Casa do Rio de Janeiro e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Fábio Barbirato, é raro encontrar crianças com síndrome do pânico propriamente dita; são mais corriqueiros transtornos ansiosos entre crianças e adolescentes. Isso foi atestado por uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), que avaliou a prevalência de transtornos psiquiátricos entre jovens de sete a 14 anos em cidades de médio porte e seus arredores no sudeste de São Paulo. O trabalho constatou que cerca de 7% das crianças sofrem de transtornos ansiosos – mais comuns do que depressão e hiperatividade, presentes em 1% das crianças.


Tratamento
Por volta dos três anos de idade, a criança já pode desenvolver transtornos de ansiedade, mas nesta idade ainda é muito cedo para tratamentos com terapia ou medicação. Assim, em vez de levar o pequeno ao consultório, quem vão são os pais, que recebem orientação de um profissional e atuam como “coterapeutas”. A partir dos seis anos de idade, quando o caso é entre leve e moderado, o tratamento indicado é a terapia comportamental.
Apenas em casos graves, o tratamento inclui, além da terapia, medicação – existem antidepressivos com doses adequadas para crianças. Ainda a respeito da medicação, Barbirato ressalta que, para crianças, nunca devem ser receitados calmantes. Segundo o psiquiatra, este é o único transtorno que tem comprovação científica de que o tratamento apenas com terapia é tão eficaz quanto o acompanhado por medicamentos, o que representa uma vantagem.
A partir do momento em que o problema é diagnosticado e se inicia o tratamento, os ataques de pânico podem ser amenizados e até evitados. Segundo Barbirato, na terapia, são ensinados exercícios de relaxamento e respiração que, se realizados quando a criança percebe o início da crise, ajudam a controlar a situação.


Síndrome é diferente de ataque
Há diferenças entre síndrome do pânico e ataques de pânico. Os ataques têm “gatilho”, podem ser provocados por situações específicas, identificáveis, como provas na escola, viagens, festas, ausência temporária dos pais ou outras situações em que a criança se sinta pressionada. Já na síndrome, os ataques não são ocasionados por fatores externos. Aqui, as crises costumam ser mais frequentes, intensas e duradouras.
É pouco comum que crianças tenham síndrome do pânico, mas não é raro que tenham ataques, e de acordo com artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, 59,5% dos pacientes adultos com transtorno de pânico apresentavam histórico de ansiedade na infância. Logo, mesmo que a criança tenha apenas ataques de pânico esporádicos, é bom procurar ajuda, pois há mais chances de que evolua para um problema mais sério.
As diferenças entre as crises de crianças e adultos estão principalmente na forma de apresentação. Enquanto os adultos relatam com facilidade o que sentem, as crianças tendem a internalizar, o que torna mais difícil o diagnóstico na infância. Os sintomas que podem ser percebidos nos pequenos são choro sem motivo aparente, isolamento e abandono de atividades que costumavam diverti-los. Em crianças maiores e adolescentes, a irritabilidade também é considerada um sintoma.

Informações Cartola – Agência de Conteúdo – Especial para o Terra
Fonte:http://primeirainfancia.org.br

Isabel Solé - A leitura exige motivação, objetivos claros e estratégias...

Isabel Solé - A leitura exige motivação, objetivos claros e estratégias




Trecho do livro
"Ler é compreender e compreender é sobretudo um processo de construção de significados sobre o texto que pretendemos compreender. É um processo que envolve ativamente o leitor, à medida que a compreensão que realiza não deriva da recitação do conteúdo em questão. Por isso, é imprescindível o leitor encontrar sentido no fato de efetuar o esforço cognitivo que pressupõe a leitura, e para isso tem de conhecer o que vai ler e para que fará isso; também deve dispor de recursos - conhecimento prévio relevante, confiança nas próprias possibilidades como leitor, disponibilidade de ajudas necessárias etc. - que permitam abordar a tarefa com garantias de êxito; exige também que ele se sinta motivado e que seu interesse seja mantido ao longo da leitura. Quando essas condições se encontram presentes em algum grau, e se o texto o permitir, podemos afirmar que também em algum grau, o leitor poderá compreendê-lo. Com essas ideias, podemos dizer que enfocamos nossa atenção nos resultados de aprender a ler."


Para a especialista, o professor ajuda a formar leitores competentes ao apresentar, discutir e exercitar as principais ações para a interpretação

Pesquisas sobre como o leitor interage com o texto circulam no ambiente das universidades desde a década de 1970. Coube à espanhola Isabel Solé, professora do departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação na Universidade de Barcelona, na Espanha, trazer a discussão para as salas de aula. Publicado originalmente em 1992, seu livro Estratégias de Leitura esmiúça o papel do professor na formação de leitores competentes (leia a resenha do livro). “O ensino das estratégias de leitura ajuda o estudante a aplicar seu conhecimento prévio, a realizar inferências para interpretar o texto e a identificar e esclarecer o que não entende”, explica. De sua casa, em Barcelona, Isabel apontou caminhos para a atuação prática.

Qual a maior contribuição do livro Estratégias de Leitura para a aprendizagem em sala de aula?
ISABEL SOLÉ Eu diria que o maior mérito foi colocar ao alcance dos professores de Educação Básica uma forma de pensar e entender a leitura que já era bastante conhecida no âmbito acadêmico, mas ainda não tinha muito impacto na prática educativa. Afinal, são os docentes que de fato contribuem para a melhoria da aprendizagem da leitura.

O que a escola ensina sobre a leitura e o que deveria ensinar?
ISABEL Basicamente, a escola ensina a ler e não propõe tarefas para que os alunos pratiquem essa competência. Ainda não se acredita completamente na ideia de que isso deve ser feito não apenas no início da escolarização, mas num processo contínuo, para que eles deem conta dos textos imprescindíveis para realizar as novas exigências que vão surgindo ao longo do tempo. Considera-se que a leitura é uma habilidade que, uma vez adquirida pelos alunos, pode ser aplicada sem problemas a múltiplos textos. Muitas pesquisas, porém, mostram que isso não é verdade.

Hoje em dia, o que significa ler com competência?
ISABEL Quando o objetivo é aprender, isso significa, em primeiro lugar, ler para poder se guiar num mundo em que há tanta informação que às vezes não sabemos nem por onde começar. Em segundo lugar, significa não ficar apenas no que dizem os textos, mas incorporar o que eles trazem para transformar nosso próprio conhecimento. Pode-se ler de forma superficial, mas também pode-se interrogar o texto, deixar que ele proponha novas dúvidas, questione ideias prévias e nos leve a pensar de outro modo.

Ensinar a ler é uma tarefa de todas as disciplinas?
ISABEL Sim. Não apenas para aprender, mas também para pensar. A leitura não é só um meio de adquirir informação: ela também nos torna mais críticos e capazes de considerar diferentes perspectivas. Isso necessita de uma intervenção específica. Se eu, leitora experiente, leio um texto filosófico, provavelmente terei dificuldades, pois não estou familiarizada com esse material. É preciso planejar estratégias específicas para ensinar os alunos a lidar com as tarefas de leitura dentro de cada disciplina.

Como os professores das diferentes áreas devem se articular entre si?
ISABEL O que aprendi em minhas conversas com professores é que os da área de línguas têm um papel importantíssimo para ajudar os alunos a melhorar a leitura e a composição de textos no campo de ação da própria língua e da literatura. Os responsáveis pelas demais disciplinas, por sua vez, podem lidar com textos mais específicos. Aliás, como assinalam muitos especialistas, quem leciona também deve aprender progressivamente a compreender e produzir os textos próprios de suas áreas. Em seguida, uma assembleia de professores ou a coordenação podem planejar que, digamos, o titular de História ensine a resumir textos como relatos, que o de Ciências ajude a produzir relatórios e a entender textos instrucionais e assim por diante. Outra proposta é, sempre que possível, trabalhar com enfoques mais globalizantes, com toda a equipe reforçando procedimentos de leitura e produção escrita.

Como é possível motivar os alunos para a leitura?
ISABEL Uma boa forma de um docente fomentar a leitura é mostrar o gosto por ela – quer dizer, comentar sobre os livros preferidos, recomendar títulos, levar um exemplar para si mesmo quando as crianças forem à biblioteca. Os estudantes devem encontrar bons modelos de leitor na escola, especialmente aqueles que não possuem isso em casa.

E como despertar o interesse para a leitura para aprender?
ISABEL O fundamental é que os alunos compreendam que, se estão envolvidos em um projeto de construção de conhecimento ou de busca e elaboração de informações, é para cobrir uma necessidade de saber. Muitas vezes, o problema é que que eles não sabem bem o que estão fazendo. Nesse caso, é natural que o grau de participação seja o mínimo necessário para cumprir a tarefa. Quando os objetivos de leitura são claros, é mais fácil estar disposto a consultar textos ou a procurar algo numa enciclopédia.

De que forma as estratégias realizadas antes, durante e depois da leitura podem auxiliar a compreensão?
ISABEL Elas ajudam o estudante a utilizar o conhecimento prévio, a realizar inferências para interpretar o texto, a identificar as coisas que não entende e esclarecê-las para que possa retrabalhar a informação encontrada por meio de sublinhados e anotações ou num pequeno resumo, por exemplo.

Se pudesse modificar algum ponto em seu livro, qual seria?
ISABEL Eu insistiria muito mais na conexão profunda que existe entre leitura e escrita quando o objetivo é aprender. Essa tarefa híbrida entre a leitura e a elaboração do que se lê por meio de resumos, sínteses e notas tem um impacto muito importante na aprendizagem. Algo que tenho visto nas investigações mais recentes do grupo de pesquisa de que faço parte é que muitos alunos, quando têm de fazer um resumo depois de ler, cumprem a tarefa sem voltar ao texto original para ver se o que se destacou é fiel ao que se leu. Creio que é preciso romper com a sequência “primeiro ler depois escrever”. Em vez disso, é melhor pensar que se faz uma leitura já com o propósito de escrever, num processo que envolve a revisão do escrito.



Fonte: Revista Nova Escola

Leitura, um objeto de conhecimento

Foto: Marcelo Kura
O que leva um leitor a ler mais cuidadosamente um texto? O que o faz preferir a leitura de um e o descarte de outro? O que se espera encontrar naquele material escolhido? O que está previsto de ser encontrado se confirma à medida que as páginas são percorridas? É com o objetivo de explicitar o que ocorre quando lemos e contribuir para o debate conceitual e prático sobre o ensino da leitura que Isabel Solé trava um agradável diálogo com o leitor em Estratégias de Leitura (194 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 52 reais). No livro, publicado originalmente em espanhol em 1996, Isabel explica que todo bom leitor procura ajustar o modo de ler ao objetivo inicial de sua leitura.
Nessa busca, o leitor interage o tempo todo com o texto, utilizando seu conhecimento prévio sobre o tema, fazendo inferências, elaborando hipóteses e checando suas previsões. O resultado disso leva a interpretações e compreensões feitas sem a interferência direta de um leitor mais autônoma.
Como esse processo de leitura não é natural, automático ou muito menos simples, ele precisa ser construído pelo aprendiz. É pensando nisso que o livro faz uma ponte com a realidade da escola, alertando os professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental para o fato de que os alunos não aprendem isso sozinhos.

Cabe ao educador oferecer às crianças os segredos que utilizam quando eles próprios leem. Isso deve ser feito na mesma forma como ocorre com outros conteúdos de ensino ou quando mostra como utilizar adequadamente um caderno ou traçar de forma correta as letras. O professor funciona como um especialista em leitura explicitando seu processo pessoal à turma, o que leva à compreensão do que está escrito: qual seu objetivo com aquela determinada leitura, que dúvidas surgem, que elementos toma do texto para tentar resolver suas questões... Vendo o que o professor faz para elaborar uma interpretação do texto, os estudantes entendem as chamadas estratégias de compreensão leitora e passam a adotá-las.

Sobre a autora Espanhola, professora do Departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação na Universidade de Barcelona, na Espanha, é orientadora de pesquisas sobre o ensino e a aprendizagem da leitura (leia entrevista com Isabel Solé) Cristiane Pelissariautora desta resenha, é pedagoga, formadora de professores e coordenadores pedagógicos e faz parte da equipe de formação do Programa Ler e Escrever, da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.
 
http://edu-candoconstruindosaber.blogspot.com.br/2013/05/isabel-sole-leitura-exige-motivacao.html

Quando eles descobrem a sexualidade...

Quando eles descobrem a sexualidade


A fase da sexualidade é apenas mais uma e faz parte do desenvolvimento dos pequenos tanto quanto engatinhar, andar ou falar. E a melhor maneira de passar por ela é sendo verdadeiro com eles, como sempre...

A questão da sexualidade na infância é um assunto bastante delicado, que deixa muitos pais em pânico, sem saber como lidar com ela.

Conforme a criança vai crescendo e começa a fazer certas perguntas ou agir de uma maneira diferente, os pais logo se perguntam: será que devo falar sobre sexualidade com meu filho, posso tomar banho junto com ele ou é melhor evitar ficar nu na frente da criança? Como devo agir quanto à masturbação?

O grande problema é que, às vezes, os pais ou educadores encaram a sexualidade de uma forma distorcida. Porém a sexualidade infantil faz parte do desenvolvimento normal da criança, é apenas uma função como tantas outras, e é preciso encará-la da forma mais natural possível.

A educação sexual acontece de qualquer maneira. Mesmo que os pais não conversem com a criança a respeito ou não respondam às suas perguntas a cerca do assunto, a criança vai desenvolver essa função. Mas é a partir da atitude dos pais que eles aprendem se o sexo é certo ou errado, bonito ou feio. Portanto, o melhor é não fugir do assunto.

Segundo a psicóloga Fernanda Roche, as respostas devem ser simples e claras, não havendo necessidade de responder além do que lhe for perguntado. "A própria criança dará os sinais do momento mais adequado de saber cada coisa", afirma ela.

E não adianta inventar mentirinhas bobas para a criança, como dizer que é a cegonha quem traz o bebê ou que eles são comprados no hospital. Elas são muito espertas e logo descobrem a verdade e, assim, os pais ficam desacreditados pelos filhos.

A psicóloga Fernanda sugere falar a verdade, introduzindo neste momento palavras científicas (pênis, vagina) para mostrar a seriedade do assunto, evitando assim gozações, malícia e palavras de duplo sentido.

Com crianças menores de cinco anos, é preciso ser mais claro e preciso, já as maiores podem compreender uma informação mais elaborada. Não é preciso ser um especialista para dar uma informação suficientemente boa. O fato é que estaremos no caminho certo se nossos filhos pensarem: "Vou perguntar a mamãe e papai que eles sempre me respondem".

Quanto ao fato de deixar a criança dormir na cama dos pais, a psicóloga deixa bem claro: não é recomendável que o filho tome o lugar de um dos pais ausente à cama, pois erotiza a criança de forma inadequada. "Elas fazem fantasias que não são benéficas ao desenvolvimento emocional. É preciso também dar a noção de privacidade aos filhos".

Ela diz ainda que não há nenhum problema dos pais ficarem nus na frente dos filhos, contanto que ajam de uma maneira natural e espontânea, permitindo que as crianças tenham uma percepção das diferenças entre os sexos. A curiosidade diminuirá com o tempo e, a partir dos seis ou sete anos, a criança começará a ter pudor.

Segundo a profissional, a auto-exploração ou masturbação é outra experiência fundamental para a sexualidade saudável. Essa experiência da auto-exploração só trará prejuízos se for punida ou se a criança sentir-se culpada por esta atividade natural.

A recomendação de Fernanda é que os pais ignorem ou mostrem compreender a criança. "Se a criança fizer isto na sua frente ou na de outras pessoas e você ache inadequado, diga que entende ser gostoso, mas que aquele não é o local certo, ensinando-lhe a noção de privacidade", aconselha ela.

Dicas:
0 a 3 anos
As crianças são curiosas e suas dúvidas em relação à sexualidade podem começar bem cedo. É preciso estar sempre preparado para responder às suas perguntas.
3 a 6 anos
É nessa fase que as crianças manifestam interesse pelos os órgão genitais passam a explorá-los, começando a desenvolver sua sexualidade.
6 a 9 anos
Lembre-se que se a criança estiver se masturbando em público ou excessivamente ela pode estar se utilizando deste recurso para chamar a atenção dos pais para algum problema.

Fonte: http://www.espacomorumbi.com.br/emorumbi/noticias

OFICINAS DE POEMAS- PASSARINHO NO NINHO

http://alfabetizandocomfantasia.blogspot.com.br/2009/10/oficinas-de-poemas.html

ZONA RURAL E URBANA - atividades

ZONA RURAL E URBANA - atividades

http://edu-candoconstruindosaber.blogspot.com.br/2013/05/zona-rural-e-urbana-atividades.html