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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Solidão traz problemas cardíacos e morte precoce

Isolamento social é uma epidemia em crescimento, e traz consequências físicas, mentais e emocionais. No Brasil, não há pesquisa que avalie o número de pessoas que sentem-se solitárias, mas temos aqui uma pista: o número de brasileiros que vive sozinho tem aumentado, com quase 7 milhões de lares com apenas um ocupante, segundo o senso de 2010. O senso de 2000 apontava apenas 4,1 milhões.

Já pesquisas realizadas nos EUA mostram que o número de adultos que se dizem solitários aumentou de 20% em 1980 para 40% atualmente. Um terço da população com mais de 65 anos vive sozinha, sendo que essa proporção aumenta para metade para os que têm mais de 85 anos. As pessoas com menor nível educacional são as mais propensas a não terem alguém para discutir assuntos importantes.
Consequências

Uma onda de pesquisas recentes mostram que a separação social traz consequências sérias como sono de pior qualidade, sistema imunológico alterado, mais inflamação e maiores níveis de hormônios de estresse. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de York (Reino Unido) mostra que a isolação aumenta o risco de doenças cardíacas em 29% e derrame em 32%.


Uma meta-análise que revisou dados de 70 estudos incluindo 3,4 milhões de pessoas concluiu que indivíduos isolados têm 30% mais chance de morrerem nos próximos sete anos. Este efeito foi mais observado em pessoas de meia idade.

A solidão pode acelerar o declínio cognitivo em idosos e indivíduos jovens são duas vezes mais propensos a morrer prematuramente. Esses efeitos começam cedo: crianças isoladas apresentam saúde significantemente pior 20 anos depois, mesmo levando em consideração outros fatores.
Solidão é tão perigosa quanto fumar

Em outras palavras, a solidão é um fator de risco tão importante quando a obesidade ou fumar. Mas é um problema muito mais abstrato e quem sofre com ele sente grande dificuldade em admiti-lo. Para muitos, fazer isso significa admitir fracasso de vida. Por isso, as pessoas solitárias sentem têm dificuldade em pedir ajuda.

Por que são solitários?

Pesquisas sugerem que a solidão não é necessariamente resultado de habilidades sociais ruins ou falta de apoio da família, mas pode ser causado por uma sensibilidade incomum para pistas sociais. As pessoas solitárias têm mais chances de interpretar pistas sociais ambíguas como negativas, entrando em um estado mental de autopreservação, o que piora o problema.

O professor de psicologia John Cacioppo, da Universidade de Chicago (EUA), testou vários tipos de tratamento para a solidão, e concluiu que a mais eficaz foca na má adaptação da cognição social. Ou seja, em ajudar as pessoas a reexaminarem como interagem com outros e como percebem as pistas sociais.

O pesquisador está trabalhando com as forças armadas dos EUA para explorar como a cognição social pode ajudar soldados a se sentirem menos isolados enquanto estão em missões e depois que voltam para casa.

Idosos

Já entre idosos, o processo pode ser um pouco diferente. É frequente encontrar pessoas de idade que já perderam membros da família ou amigos, ou simplesmente foram deixados de lado pelos parentes mais jovens. Um idoso define essa triste fase como “é como se o mundo morresse antes de você”.

Por isso é importante que os municípios forneçam atividades em grupos para idosos e que ofereçam acesso fácil e grátis ao transporte público. Idosos religiosos devem ser encorajados a continuar frequentando seus grupos, enquanto aqueles que são capazes de cuidar de animais de estimação podem sentir menos solidão com um bichinho fazendo companhia.

Programas mais estruturados têm surgido em países como Japão, Suécia e Estados Unidos, em que o contato entre gerações é incentivado. No Japão, algumas cidades contam com lares de idosos que também funcionam como creches. Assim, as crianças recebem atenção de vários avozinhos e vice-versa.

Já nos estados Unidos, há um programa chamado linkAges que promove a troca de serviços entre as gerações, como aulas de violão ou uma carona até o médico. Um aluno de universidade, por exemplo, pode ver o anúncio de um idoso que precisa de ajuda com o jardim. Ele ajuda por duas horas, e fica com esse tempo como crédito, que depois pode ser trocado por um jantar feito por um chefe aposentado.

Sentir-se útil e parte da comunidade faz toda a diferença. 

FONTE:

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